Creches privadas contrariam Conselho e não fecham nas férias

Na semana passada, um o Conselho Nacional de Educação (CNE) se posicionou favorável as férias nas escolas de educação infantil. O parecer da entidade federal foi dado após questionamento da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo que sofre processo por fechar as unidades em janeiro. Muitas instituições particulares, no entanto, mantêm-se abertas para receber alunos o ano todo.

“Funcionamos de janeiro a janeiro”, explica a funcionária da escola Beija-Flor, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Crianças matriculadas em período integral têm direito ao programa especial de férias, as que costumam ficar por poucas horas precisam que as famílias paguem à parte pelo serviço considerado um adicional.

A mesma situação é encontrada nas principais capitais do País. No Rio de Janeiro, a Gente Miúda fecha apenas no Natal e no Ano-Novo, embora o período de férias das atividades pedagógicas seja maior. Em janeiro, a escola funciona no mesmo local, mas como “colônia de férias”. Na capital cearense, a Brincando e Aprendendo adota o mesmo esquema.

A escritora Vanessa Anacleto, mãe de Ernesto, de 3 anos e 10 meses, é contra o fechamento das escolas infantis. Autora do livro “Culpa de Mãe”, sobre a dificuldade das mulheres em voltar ao trabalho depois da maternidade, ela acha que escolher o período de férias para ficar com as crianças é um luxo que nem todas as famílias têm. “As instituições públicas, mais ainda, precisariam atender o ano todo. Vejo diaristas que são obrigadas a levar os filhos com elas em janeiro porque a creche fecha.”

Ela mesma, apesar de trabalhar em casa, deixa o filho estudando em tempo integral em uma instituição particular no Rio, inclusive durante o recesso pedagógico, quando as atividades são recreativas. As férias de Ernesto ocorrem junto com a dos pais, em março. “Preciso trabalhar e não tenho babá, então ele fica na escolinha das 10h às 18h”, diz.

A presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Quézia Bombonato, questiona o uso do parecer como justificativa para fechar escolas infantis. Ela apoia o argumento usado pelo CNE de que as crianças devem ter tempo em casa com as famílias, mas diz que não se pode considerar que todas podem fazer isso. “O fato das particulares terem atividade nas férias mostra como as mães precisam ter essa alternativa. Não pode valer só para quem tem dinheiro para pagar”, argumenta.

Para ela, as atividades devem ser diferentes, mas alguma alternativa precisa ser dada às mães que não têm como cuidar dos filhos. “Os pais não podem transferir toda a responsabilidade de educar para escola e deixá-lo lá o ano todo, claro, mas não dá para estabelecer um período que fecha e achar que todo mundo vai conseguir se adequar.”
Reação em São Paulo

O secretário de Educação de São Paulo, principal defensor das férias, disse a demanda por creches cai muito nas férias. “Disponibilizamos 6 mil vagas este ano. No dia que tivemos maior presença, foram 411”, afirmou. Professores do Centro de Educação Infantil, Jardim Luso, visitados pelo iG na semana passada, comemoraram a decisão pela garantia das férias e por atestar que se tratam de estabelecimentos de ensino. “Creche é escola e não depósito de criança”, disse Simone do Rosário de Oliveira Silva, de 43 anos.

(IG)

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