Universidade Aberta da Terceira Idade da USP completa 20 anos

Zalir Lopes, Lygia Moreira, Neuza Guerreiro de Carvalho, Edna Gimenez e Irley Rocha são alunas da Unati.

“Para não perder a referência.” É dessa forma que Neuza Guerreiro de Carvalho, de 82 anos, aponta para um grande mapa de São Paulo que mantém na mesa da sala de sua casa. Moradora do Alto da Lapa, próximo à Cidade Universitária, zona oeste da capital paulista, a professora aposentada de Biologia reúne-se periodicamente com um grupo de amigas, todas com mais de 60 anos de idade. “Nosso grupo chama-se ‘As Seminovas’”, diz. O objetivo? Estudar.

Desde 2005 Neuza participa da Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati) um programa da Universidade de São Paulo (USP) implementado em 1993. Com quatro mil vagas disponíveis distribuídas pelos campi da instituição, a iniciativa oferece cursos e atividades em diferentes áreas do saber. Para participar, basta ter no mínimo 60 anos e se inscrever no período de matrícula – este ano, de 25 de fevereiro a 8 de março, em todas as unidades, exceto na USP Leste, cujo período de inscrição foi no final de janeiro.

“Já frequentei desde cursos em sala, como as aulas da professora Cremilda Medina na disciplina ‘Narrativas da Contemporaneidade’, até os ‘Encontros Cultuais’, do professor Luís Alberto Terron”, relembra Neuza. No Brasil, o número de idosos – pessoas com mais de 60 anos – dobrou nos últimos 20 anos, passando de 10,7 milhões em 1991 para 23,5 milhões, segundo dados do IBGE.

Atenta à diversidade, a programação da Unati contempla variados campos do saber em formatos bem diferentes. Os interessados podem participar de disciplinas semestrais da graduação ou frequentar palestras e encontros presenciais mais curtos, como visitas a museus, aulas de artes marciais, pintura, arqueologia, educação ambiental, entre outros. “Sou uma estudante compulsiva. Aumentando o repertório, fica mais fácil estabelecer relações entre diferentes pensamentos”, atesta Neuza, entusiasmada com os novos cursos que fará este ano.

Na prática
De acordo com a Professora Dra. Marina Yamamoto, pró-reitora adjunta de Cultura e Extensão Universitária da USP, uma das características mais apreciadas pelos alunos da Unati é a possibilidade de aplicar no cotidiano o que aprendem. “Palestras sobre como cuidar de suas finanças na terceira idade e atividades voltadas aos cuidados com a alimentação e com a saúde são bastante procurados”, exemplifica.

Yamamoto ressalta que a frequência no campus de pessoas de idades e gerações diferentes enriquece o ambiente de aprendizagem pelo compartilhamento das experiências vividas. “É uma aproximação e uma oportunidade de redescobrir talentos, ou se aprofundar em assuntos do seu interesse. O que se espera é que, entendendo mais do mundo, as pessoas possam se entender melhor também”, avalia.

Com o gradativo aumento da expectativa de vida no Brasil (62 anos para os nascidos em 1980 frente a 74 anos para os nascidos em 2011), tem crescido também a necessidade de encontrar soluções para melhorar a qualidade de vida.

Os benefícios, conforme descreve a professora Meire Cacchioni, pesquisadora na área de Gerontologia, livre-docente na USP Leste e membro da pró-reitoria de Cultura e Extensão Universitária, vão desde a manutenção da memória e o bem-estar emocional até a melhor disposição física, o engajamento social e a autonomia. “São pessoas com outro ritmo e com plena capacidade de aprendizagem”, salienta.

Vizinha à USP Leste, Otacília Paiva da Silva, de 64 anos, técnica contabilista aposentada há nove anos, pode agora usufruir do acesso à cidade proporcionado pelas atividades, visitando lugares que não conhecia, como o Parque Ecológico localizado dentro do campus universitário. “Só agora estou conhecendo São Paulo. O convívio é bom pelas trocas e aprendizagem”, reconhece.

Em 2013, a Universidade Aberta da Terceira Idade completa 20 anos de existência. Mais de cem mil alunos já passaram pelo programa, que atualmente oferece 322 cursos gratuitos, distribuídos em sete cidades do estado de São Paulo. Sobre esta trajetória, a professora aposentada do Instituto de Psicologia e coordenadora acadêmica da Unati, Ecléa Bosi, afirma que uma das principais contribuições do projeto foi “humanizar a fisionomia da USP”.

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