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USP, Unesp e Unicamp debatem cotas

Do Estadão

As universidades estaduais de São Paulo – USP, Unicamp e Unesp – já encaminharam às unidades de ensino o projeto de cotas desenhado pelos reitores e o governo estadual. Mesmo sem um calendário claro de participação, a ideia é abrir o debate com os professores antes de o projeto chegar aos Conselhos Universitários, que baterão o martelo sobre a aceitação ou não do plano.

Batizado de Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Público Paulista (Pimesp), o projeto propõe alcançar, em três anos, 50% das matrículas em cada curso e em cada turno de estudantes de escolas públicas, sendo 35% pretos, pardos e indígenas. Parte das vagas seria preenchida por alunos que passariam por um college, curso semipresencial de dois anos.

A proposta que começa a ser debatida nas unidades estipula metas graduais já a partir do próximo vestibular. E, para começar a valer em 2014, os Conselhos Universitários, instâncias máximas das instituições, precisam deliberar ainda no primeiro semestre.

A reitoria da USP encaminhou um material para fundamentar o debate nas unidades em 28 de janeiro. Os professores têm até 28 de março para entregar uma resposta.

Sem citar a palavra cota, o documento apresenta dados sobre acesso de alunos de escolas públicas ao ensino superior, mostrando como os mais pobres são minoria nas universidades. Mas não traz nada sobre a realidade na própria universidade, como a presença desses alunos em cursos como Medicina.

Em um dos tópicos, indica que “a renda familiar é fator mais determinante do que a cor para o acesso ao ensino superior”. Apesar disso, o critério de renda não é contemplado no projeto – como ocorre na lei federal.

Caminho. Na Escola Politécnica da USP, o material será analisado pelos 15 departamentos antes da discussão na Congregação, marcada para março.

“Não é todo mundo que se engaja. Só quem está antenado com o impacto político da escola (na USP)”, diz o diretor da Poli, José Roberto Cardoso.

Havia a preocupação em algumas unidades de que o projeto seria imposto. No Instituto de Química, por exemplo, os professores chegaram a encaminhar moção pedindo ao reitor que enviasse o projeto para análise ainda em dezembro.

Na Faculdade de Medicina, o assunto só era conhecido pelo que saiu na imprensa. “Protocolei requisição para que o projeto seja debatido na próxima Congregação, em março”, diz o professor Paulo Saldiva.

No câmpus de Ribeirão Preto, haverá debate entre alunos e o tema entra na pauta da Congregação da Faculdade de Economia e Administração já no dia 27. “Toda a comunidade acadêmica deve se envolver”, afirma o diretor da unidade, Sigismundo Bialoskorski Neto.

O debate nas unidades ocorrerá na Unicamp até abril. Em seguida segue para o Conselho Universitário. Na Unesp, o projeto já está nas faculdades e deve ser analisado na primeira reunião do conselho, no dia 28.