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Polícia agride estudantes e apreende 9 após protestos em escola no interior de SP

Com informações do jornal “A Cidade”

Em São Simão, no interior do estado de São Paulo, a Polícia Militar e a Guarda Civil foram chamadas pela direção da escola estadual Capitão Vírgilio Garcia para conter um protesto de estudantes nesta quinta-feira (13/2) e teve como resultado agressões, humilhações e nove apreensões de adolescentes entre 12 e 17 anos.

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Na tarde anterior, um aluno teria tido seu cartão de memória do celular furtado. Irritado, ameaçou colegas e docentes com pedaços de madeira e a PM foi chamado para contê-lo. Apesar de a diretora regional de ensino Simone Locca afirmar que tudo aconteceu dentro dos limites da lei, colegas relatam que o jovem foi espancado “até desmaiar” e levado algemado pelas mãos e pés.

Os eventos da quarta-feira motivaram o cancelamento das aulas na quinta-feira. Os colegas do estudante agredido, cuja família preferiu não dar declarações mas afirmou que irá entrar com um processo civil contra o estado, foram o estopim para o protesto de cerca de 30 estudantes na quinta-feira. A direção do colégio e a polícia acusam os jovens de terem detonado bombas, queimado cortinas e destruído vidraças.

Ocorrido

A reportagem do jornal “A Cidade” relatou que estudantes se aglomeravam na porta da escola e a ação violenta partiu da PM, que agarrou um menino de 12 anos pelo braço e jogou spray de pimenta nos demais. Em seguida, a viatura deixou o local sob vaias e vidraças foram quebradas.

Após as cenas de depredação, a polícia voltou e dois membros da Rocam imobilizaram, algemaram e fizeram ajoelhar um adolescente. Com a chegada de mais duas viaturas, policias agrediram com puxões de cabelo, apertos no pescoço e torcida de braço três meninas. A reportagem do “A Cidade” relata que foi intimidada ao realizar a cobertura da confusão. Uma tenente impediu o acesso de jornalista aos jovens e uma viatura seguiu o veículo do jornal pelas ruas da cidade.

Assédio e insultos

Para além da prisão do colega, a reportagem do jornal A Cidade relata que os estudantes também protestavam contra “essa escola ruim”. Eles apontam que são chamados de “desgraça, marginais, favelados” por professores, monitores e diretores da escola, que dizem que a escola virou uma Febem. Meninas afirmaram também que são assediadas por um monitor e um professor.

A diretora Simone Locca afirma não ter tido conhecimento dos fatos e que tudo será apurado.

“Índole violenta”

“Essas crianças tem índole violenta. É preciso cuidado”, afirmou o capitão Maurício Tavares, da PM ao jornal A Cidade. A reportagem aponta que, para ele, a atuação foi normal. Quanto às cenas de violência protagonizadas pelos agentes do estado, a matéria narra o depoimento do  capitão afirmando “não poder comentar porque não estava lá”.