Criar na cidade

Misturando arte e diversão, jornalista propõe forma inovadora de enxergar a sustentabilidade

“É como se fosse uma grande campanha de educação que nunca terá esse nome. Não vamos mostrar só o mundo horrível que teremos se continuarmos nesse ritmo, mas sim o mundo incrível que teremos se fizermos as coisas do jeito certo, com mobilidade, bicicletas, respeito, menos consumo, igualdade. Aí cada um decide o que quer para si”, assim André Palhano define a Virada Sustentável, evento que organiza há três anos.

André Palhano recebeu na noite de quarta-feira (24/9), em São Paulo, o Prêmio Educador Inventor, concedido pela Associação Cidade Escola Aprendiz. A homenagem é um reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo jornalista, ao lado de Mariana Amaral, à frente da Virada Sustentável. “Por que não experimentar o mundo lindo que a gente vai ter se fizermos tudo certo?”, afirmou ao receber o troféu elaborado pela artista Renata Sandoval.

Jornalista de 38 anos, formado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Palhano passou por diversas redações, jornais, rádios e revistas, como Agência Estado, Veja, Folha de S. Paulo e Jovem Pan. Até que decidiu, há quatro anos, em parceria com a publicitária Mariana Amaral, coordenar e organizar uma ideia para a maior metrópole do Brasil: uma Virada para tratar da sustentabilidade e das transformações necessárias no espaço urbano e nas pessoas.

Das redações às redes, articulações e ruas, o giro do jornalista, que também faz parte do conselho das redes Minha Sampa, Sampa CriAtiva e Sampa Pé, além de ser membro da Rede Pense Livre, se deu pela necessidade de pensar novos paradigmas para um mundo em transformação. Dentro desses tempos, a comunicação, a cooperação, a arte, cultura e atividades de lazer são também ferramentas educativas.

“Na primeira edição, nós achávamos que sem 10 milhões de reais não conseguiríamos impactar como gostaríamos. Mas vimos que com uma verba limitada, dá pra fazer coisas incríveis articulando interessados e recursos. Você tem um megaevento formado de pequenos eventos, que entendem que o mais rico é essa essência, de construir junto com a linguagem e as questões dos locais e não pensar uma programação e impor na cidade.”

Ao longo de quatros anos, a Virada Sustentável cresceu de maneira colaborativa, com articulação direta e indireta de diversos setores da sociedade, para mostrar que sustentabilidade não é “só cuidar de floresta”, mas também “cidadania, erradicação da pobreza, redução de desigualdade, empoderamento, uso do espaço público, cultura de paz, direitos humanos, diversidade”. E um pouco de educação e invenção, afinal de contas.