Aprender na cidade

Vetado por bancada religiosa, kit “Escola Sem Homofobia” pode ser baixado na internet

“Há poucas coisas tão absurdas quanto fazer uma campanha contra um material didático produzido com o objetivo de combater o preconceito e a discriminação contra determinados grupos sociais e a estimular a tolerância e o entendimento de questões de identidade e de gênero”. Assim o blogueiro Leonardo Sakamoto definiu o veto ao material didático “Escola sem Homofobia”, que fazia parte do programa “Brasil Sem Homofobia” e visava trabalhar dentro da escola, com professores e alunos, temáticas relativa à gênero e sexualidade de lésbicas, gays, transsexuais, travestis etc.

A divulgação da cartilha foi feita pela revista em conjunto com um especial sobre o tema, que traz em sua capa uma foto do garoto britânico Romero Clarke, de 5 anos, que foi proibido de frequentar a escola por conta de sua identidade de gênero. O Portal Aprendiz já abordou o tema algumas vezes, confira:

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Batizado de “Kit Gay” pela bancada religiosa, foi vetado em 2011, acusado de ser um material “doutrinador” e fazer parte de uma “ditadura gay”. Como sete em cada dez brasileiros/as homossexuais já sofreram agressões e a cada 28 horas, um/a deles/as é morto/a, é possível concluir que essa ditadura vai bastante mal.

Com isso em mente, a Revista Nova Escola foi atrás da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABLGBT), responsável pela elaboração do “Escola Sem Homofobia” e conseguiu publicar o material, que pode ser acessado na íntegra por aqui.

Além da cartilha, também estão disponíveis na internet uma série de vídeos elaborados pela ABLGBT sobre o tema. O caderno, dirigido à professores e gestores, é dividido em capítulos e aborda temas como gênero e suas desigualdades, homofobia, diversidade sexual e luta pela cidadania LGBT. Na parte dedicada à homofobia na escola, o material trata de questões como homofobia no currículo escolar, práticas homofóbicas, estereótipos e preconceitos e dá sugestões de como trabalhá-las dentro da sala de aula e no ambiente escolar.

A existência de diretrizes escolares é fundamental para a criação de um ambiente seguro e inclusivo para esses jovens. Ou como diz a apresentação do caderno: “Sua principal meta é contribuir para o reconhecimento da diversidade de valores morais, sociais e culturais presentes na sociedade brasileira, heterogênea e comprometida com os direitos humanos e a formação de uma cidadania que inclua de fato os direitos das pessoas LGBT.”

A partir de agora, o material está disponível para os professores que quiserem atravessar o obscurantismo e propor uma educação justa, igualitária para todas e todos. Confira.