Criar na cidade

Virada Sustentável reúne paulistanos para sonhar uma outra cidade

Como transformar São Paulo em uma cidade mais justa, solidária e sustentável? Há centenas de pessoas, coletivos, experiências, órgãos e equipamentos públicos discutindo e fazendo transformações pelo espaço urbano. É buscando reunir essas iniciativas que a Virada Sustentável promove, entre os dias 26 e 30 de agosto, uma maratona de atividades gratuitas voltadas aos paulistanos que sonham com uma outra cidade.

A primeira edição da Virada, em 2011, ocupou 78 espaços da cidade. Já em 2014, foram 155 lugares. O público também cresceu exponencialmente: de 480 mil para 920 mil pessoas.

Parques, praças, equipamentos culturais, escolas e universidades estão entre os espaços públicos que receberão o evento, lançado nesta quarta-feira (5/8), no Centro Cultural São Paulo (CCSP).

Para o jornalista André Palhano, criador do projeto, “o que a Virada Sustentável faz é juntar pessoas e mostrar um pedacinho das ideias bacanas que existem no microuniverso de São Paulo.”

Apesar da programação oficial ainda não ter sido divulgada, o Portal Aprendiz antecipa alguns dos destaques do evento, que hoje também é realizado em outras cidades do país, como Recife e Manaus.

Virada Sustentável leva atividades educativas para diversas regiões de São Paulo.

Estão programadas atividades em todos os cantos da cidade.

Paulo Henrique Baumann

Virada na quebrada

Partindo da ideia de que a Virada Sustentável deve estar também nas bordas da cidade, o coletivo Arte e Cultura na Kebrada promoverá pinturas e grafites em muros e passarelas da região do extremo leste, além de oficinas de pintura em lixeira e materiais recicláveis. No encerramento, dia 30/8 (domingo), a rua Jacarandá Rosa, em São Miguel Paulista, será fechada para o lazer e terá atividades de dança e skate.

No extremo sul, o coletivo Imargem organiza projetos que articulam arte, meio ambiente e convivência. Este ano, serão realizados passeios pelas represas da zona sul paulistana, com a intenção de fomentar “um encontro das margens”, como propõe Wellington Neri, um dos integrantes. Para a Virada, será realizada ainda uma edição especial do Sarau Sobrenome Liberdade e sessões de teatro marginal.

Um dos antigos sonhos dos idealizadores do evento será concretizado: a parceria com os Centros Educacionais Unificados (CEUs), que receberão atividades culturais, educacionais e esportivas com a intenção de dar visibilidade às ações promovidas pelos coletivos nas comunidades aonde os CEUs estão inseridos.

“A apropriação do CEU pela comunidade e a sua gestão democrática contribuem para a construção de uma São Paulo mais sustentável”, opinou Andreia Medolago, do Núcleo de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Educação. Os CEUs serão palco da já tradicional feira de troca de brinquedos, evento que também ocorre na Praça Vitor Civita e é organizado pelo Instituto Alana.

Virada Sustentável leva atividades educativas para diversas regiões de São Paulo.

Atividades são abertas e gratuitas.

Paulo Henrique Baumann

Direito à Cidade

Representando o CCSP, Ana Maria Campanhã lembrou da importância de órgãos públicos e equipamentos culturais pensarem na questão da sustentabilidade, ampliando a noção de cultura para além da produção artística. “Queremos pensar a ocupação da cidade, a qualidade de vida, principalmente a forma como coletivos e iniciativas empreendedoras tem se articulado nos últimos anos, resultando em um movimento crescente e positivo.

Para ela, a arquitetura do CCSP pode ser potencializada com o evento, onde serão realizadas ocupações sobre o tema Cidade, com a participação de coletivos como o Conexão Cultural, A Batata Precisa de Você e Laboratório da Cidade, além de encontros de movimentos de ocupação cidadã, como o Parque Augusta.

Ali, o grupo Acupuntura Urbana promoverá, no final de semana (29 e 30/8), “atividades que descomplicam a cidade”, como definiu Inês Fernandes. “São ações simples para transformarmos o espaço urbano com os recursos que temos.”

Estão previstas oficinas de estêncil e lambe lambe, pique nique nos jardins do CCSP e um passeio vendado para as pessoas saberem como é enxergar a cidade sem os olhos. Também no CCSP, ocorrerá um debate com uma representante de Rosário (Argentina) sobre cidades educadoras.

Virada Sustentável leva atividades educativas para diversas regiões de São Paulo.

Cidadania, biodiversidade e mobilidade urbana são alguns dos temas da Virada.

Paulo Henrique Baumann

Localizado em Higienópolis, o Istituto Europeo di Design (IED) pretende ressignificar a rua Maranhão, mostrando o valor arquitetônico e cultural que a via possui e estimulando o convívio social. “Nossa ideia é aproximar vizinhos, moradores e instituições, mostrando para a comunidade o que é uma cidade educativa e transformadora e incentivando o desenvolvimento local”, afirmou Christian Ullmann, professor do IED.

Por uma cidade sustentável

A questão ambiental não poderia ficar de fora da Virada Sustentável. Representando a Aliança pela Água, iniciativa que reúne organizações da sociedade civil preocupadas com a gravidade da crise hídrica que atinge São Paulo, Marussia Whately revelou que o grupo fará uma reunião aberta durante o evento para lançar uma campanha coletiva que dará visibilidade às discrepâncias nas maneiras como a falta d’água atinge as regiões da cidade.

Ainda durante a Virada será lançado o segundo episódio da websérie Volume Vivo, de Caio Ferraz. Também está prevista uma instalação do artista Mundano e uma exposição da fotógrafa Marta Lu sobre o tema.

Já a organização Floresta Urbana pensará na integração entre natureza e cidade. “Gostamos de trabalhar com arte ambiental, colocando a vegetação para conversar com outras técnicas de arte”, observou Thelma Spangenberg. Mosaicos vivos e instalações de arte ambiental no Largo da Batata estão previstos para acontecer durante a Virada Sustentável.