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Ensino médio: aula no boliche esclarece conceitos de física

por Eduardo Toshio Nagao. Matéria publicada no Porvir.

Sou professor de física do Colégio Marista de Londrina (Paraná) há 26 anos. Há mais ou menos 12 anos, comecei a desenvolver atividades com os meus alunos do primeiro ano do ensino médio no boliche, para ensinar conceitos de física. Eu acredito que nas aulas práticas, quando eles experimentam o conteúdo, tudo fica mais interessante.

A ideia surgiu quando eu estava conversando com um ex-colega do colégio. Depois de decidir levar os alunos para jogar, montei um projeto que estuda a mecânica a partir dos movimentos envolvidos no boliche.

Eduardo Toshio Nagao é graduado em Licenciatura em Física na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior, também na UEL. É professor de física do Colégio Marista de Londrina desde 1989.

Na atividade, os estudantes devem preencher um roteiro, anotando primeiro a cor ou o número da bola, para saber quanto ela pesa. Como esse peso é fornecido em libras, eu peço para eles converterem para quilogramas, já que irão usar o número em outros cálculos.

A proposta é que eles formem grupos para estudar o movimento da bola no jogo. Enquanto um aluno lança a bola, outros dois usam o celular para cronometrar o tempo que ela leva até atingir os pinos e outro vai anotando essas informações. Depois, eles devem calcular a quantidade de movimento – que está relacionada ao impulso – e a velocidade média da bola (usando o comprimento da pista que medimos anteriormente). Como tudo isso está relacionado a movimentos, nós também conseguimos estudar as leis de Newton, como a lei de ação e reação.

Em sala de aula, eu retomo o conteúdo e dou exemplos do dia do boliche. Quando pergunto se tem alguma força agindo na bola quando ela rola na pista, alguns lembram da força da gravidade, que é o peso da bola; outros lembram da força do piso na bola, que é a chamada força normal.

Nas avaliações que envolvem conteúdos desenvolvidos no boliche, o índice de acerto é superior a 90%. Os alunos ficam muito ansiosos pela atividade. Como já faz mais de 10 anos que realizo esse projeto, os colegas que estão no segundo ano comentam com os do primeiro, que vêm me cobrar: “professor, quando é a aula do boliche?”.

É muito gratificante ver que eles gostam e participam com tanto entusiasmo. Atualmente, são três turmas, totalizando 110 alunos. Alguns deles são menos participativos em sala de aula. Mas, quando estão no boliche, eles interagem, jogam, anotam, perguntam e pedem ajuda.

Eu acredito que nós professores temos que procurar sempre fazer essas atividades lúdicas. Com exercícios agradáveis, conseguimos estudar o conteúdo e não nos distanciar demais do dia a dia.