Aprender na cidade

Crianças são chamadas a ocupar e transformar ruas de São Paulo neste final de semana

Se a ocupação das escolas, que se espalha por São Paulo, tem dado mostras intermináveis de criatividade e transformação do ambiente escolar e da educação, o que poderá trazer à cidade a participação e a brincadeira das crianças? O que seria uma cidade para crianças?

criança fala glicério

Para responder esta pergunta brincando, duas iniciativas chamam às crianças às ruas para impactar o espaço urbano. Na zona sul de São Paulo, a Rede de Educadores Brincantes da Zona Sul, está programando uma ocupação da Rua Andrea Firenze, no domingo (29/11), das 10 às 15h, no Jardim Rebouças. A rua é conhecida por abrigar também a Brechoteca – Biblioteca Popular do Jd. Rebouças

A atividade, realizada com apoio da Prefeitura e articulação com diversos agentes locais, já foi realizada em outros bairros da região e promete um dia recheado de brincadeiras de rua, plantação de flores, contação de histórias e pintação de asfalto.

No sábado, às 14h, na Igreja da Paz, o Glicério, no centro de São Paulo, irá receber mais uma atividade do Projeto Criança Fala – Escuta Glicério, que, em conjunto com a SP Urbanismo, irá juntar as crianças e a comunidade para perguntar: qual o seu sonho para o viaduto do Glicério?

A iniciativa do Criacidade, com apoio da São Paulo Carinhosa, defende que, para alcançar uma cidade mais criativa, democrática e brincante, é necessário reconhecer as crianças como cidadãs. Para isso, o projeto realiza uma escuta cuidadosa de meninos e meninas que visa assegurar a participação deles na elaboração de políticas públicas, projetos arquitetônicos e na transformação do espaço público. “Quando você ouve uma criança, você ativa uma rede de colaboradores que irão construir uma cidade mais humanizada e brincante. Quando você vê, a comunidade inteira está caminhando”, afirma Nayana Brettas, criadora do projeto.

“Nós trabalhamos com a transformação dos espaços nos cortiços, formação interdisciplinar com agentes de saúde e educadores, e atuamos diretamente nas escolas e comunidades para ressignificar os espaços públicos. Uma vez por mês sai um cortejo de maracatu na região que coloca literalmente a criançada na rua”, relatou Brettas em um debate.

(Crédito da foto Sheila Signário)