Aprender na cidade

Estudantes goianos prometem passar natal, ano novo “e até carnaval” em escolas ocupadas

Por Fernanda Lobo, de Goiânia

Mesmo com a forte chuva, cerca de 200 estudantes secundaristas, professores e apoiadores da causa da educação pública se manifestaram na tarde desta terça-feira (22/12), no centro de Goiânia, contra a implementação das Organizações Sociais (OSs) na gestão escolar e a militarização das escolas.

No horário previsto para o começo do ato, um forte temporal caia sobre Goiânia.

No horário previsto para o começo do ato, um forte temporal caía sobre Goiânia.

Fernanda Lobo

Os manifestantes se reuniram na Praça do Bandeirante e seguiram em marcha até a Praça Cívica e pararam em frente ao Palácio Pedro Ludovico Teixeira, sede do governo estadual. Lá, subiram nas cadeiras das escolas que levavam consigo para gritar palavras de ordem. O grupo faz parte do movimento de ocupação das escolas públicas da capital e de municípios do interior de Goiás contra a medida imposta pelo governador Marconi Perillo, do PSDB.

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Luiza M., 15 anos, e Rayane S., 16 anos, estudantes da escola Lyceu de Goiânia, que está ocupada desde o dia 11 de dezembro, afirmam que receberam com surpresa a notícia sobre a transformação de seu colégio em OS no último dia de aula de 2015. “Foi um choque”, disseram Rayane e Luiza, acrescentando que, nesse mesmo dia, alguns alunos se reuniram e decidiram ocupar o local.

As secundaristas afirmam que estudantes das escolas ocupadas de São Paulo participaram de debates sobre a situação de Goiás e que há identificação entre os movimentos, reunidos em torno de propostas a favor da educação “pública, gratuita e de qualidade”.

Estudantes percorrem o centro da cidade em protesto contra a militarização e a terceirização da educação.

Estudantes percorrem o centro da cidade em protesto contra a militarização e a terceirização da educação.

Fernanda Lobo

Em assembleia, os estudantes decidiram que não deixarão as ocupações durante as festas de fim de ano e declararam que vão “passar o Natal, o Ano Novo e, se o governador não recuar, também o carnaval e o ano todo nas ocupações”. “A ideia é chamar nossas famílias para virem passar o Natal com a gente”, acrescentaram.

A primeira instituição de ensino ocupada, o Colégio Professor José Carlos Almeida (Zézão), havia sido fechada por conta das vagas ociosas, segundo informações da Seduce (Secretaria de Educação, Cultura e Esportes) – fusão recente das Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás), Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e Agência Goiana de Esporte e Lazer (Agel).  Os estudantes rebatem a justificativa oficial, dizendo que o remanejo provocou a superlotação das salas de aula. Até o momento, há 23 escolas ocupadas no estado.

Estudantes prometem não sair das escolas nem para as festas de fim de ano

Estudantes prometem não sair das escolas nem para as festas de fim de ano.

Fernanda Lobo

Autonomia do movimento

Durante a manifestação, um homem tentou hastear a bandeira de um partido e foi desencorajado pelos secundaristas, que reiteram que não há partidos ou organizações políticas por trás das manifestações, ao contrário do que tem sido veiculado pela mídia local.

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“Não estamos falando com a imprensa porque tudo o que dissemos até agora foi editado ou cortado para passar a ideia de que há alguma organização partidária e que nossa causa não é legítima”, defendeu um secundarista.

Por meio das páginas Secundaristas em Luta-GO e Contra a terceirização da Educação em Goiás, o movimento tem divulgado informações sobre as ocupações e as necessidades mais urgentes das escolas.

Goiás tem atualmente 26 escolas públicas geridas pela Polícia Militar do Estado.

Goiás tem atualmente 26 escolas públicas geridas pela Polícia Militar do Estado.

Fernanda Lobo