Aprender na cidade

Como nasce uma escola colaborativa, comunitária e em rede?

Em 9 de fevereiro de 2015,  Instituto Casa Viva, em Belo Horizonte (MG), dava seus primeiros passos. Fruto do sonho de pais e educadores, a experiência visava criar um ambiente de aprendizagem livre e democrática, mirando o desenvolvimento integral dos estudantes como foco de sua empreitada. Sem fins lucrativos, a escola quer possibilitar o crescimento e a aprendizagem de maneira interdisciplinar e colaborativa para crianças e adolescentes do infantil ao médio.

Começando com 9 professores, um funcionário, uma casa aberta para o mundo e cem alunos matriculados, a escola foi acompanhada pela reportagem do Centro de Referências em Educação Integral, que realizou uma série de reportagens para contar o dia a dia do desabrochar desta experiência educativa. Ao todo, foram oito reportagens, encabeçadas pelo relato do Instituto Casa Viva sobre sua fundação. Após isso, os textos versaram sobre currículo, gestão democrática, formação continuada, participação da família, direito à cidade e participação social na escola.

#1 Como Nasce uma Escola: um relato do Instituto Casa Viva

No primeiro episódio da série, Lívia Arnaut, professora e uma das fundadoras do Casa Viva, contou um pouco sobre os sonhos daquele coletivo e seus primeiros andares:

“A própria arquitetura da casa que escolhemos como sede da nossa escola vai propondo algumas coisas: a sala de Arte aberta pra rua, a biblioteca no centro da escola – para ir de uma sala pra outra teremos que passar por ela. São escolhas de ocupação que tivemos que fazer e que naturalmente vão-se transformando em conceitos norteadores de nosso trabalho.

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E assim vamos nos debruçando sobre cada questão relativa ao nascimento de uma escola: o currículo, o funcionamento, a gestão, a arquitetura, a sustentabilidade. Para cada uma dessas questões estamos criando novas possibilidades de pensamento, de deslocamento, de fazer de forma diferente. Pela nossa experiência, sabemos que um bom projeto e boas ideais não bastam: elas precisam acontecer, precisam existir para se tornarem reais.” Continue lendo.

#2 Como Nasce uma Escola: rede curricular lida com conhecimentos de maneira orgânica

E como se estrutura um currículo? E como não deixar que o currículo te engesse? Pensar projetos políticos pedagógicos são vitais para uma instituição de ensino. Ao criá-los coletivamente, se alicerça uma educação orgânica que irá propor ferramentas colaborativas para quem participe dela.

“Aqui a grade curricular, que dá a perspectiva de contenção, deu lugar à rede curricular, que, simbolicamente, remete à maleabilidade: estica ou retrai de acordo com a demanda”. É assim que a sócia fundadora e também professora do Instituto Casa Viva, em Belo Horizonte (BH), Andrea Aparecida de Araujo Zica define o currículo adotado pela instituição que vive em 2015 seu primeiro ano de existência.

Na escola, sobressai a ideia de que todos aprendem, diretriz que não permite a sobreposição pelos conhecimentos prévios. Para tanto, a organização não se dá por disciplinas, mas por núcleos. Há o de Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática e Linguagens.

O movimento parte de um reconhecimento de que a escola é parte de uma comunidade maior, corresponsável pela educação de crianças e jovens. E isso se deu já na escolha da localidade em que a unidade se encontra. “Fizemos um mapeamento do entorno antes de escolher nosso endereço”, coloca a gestora enumerando os principais vizinhos. “Temos bem próximo uma tradicional escola de dança, um museu, uma praça, um convento, a avenida que determina o limite central de Belo Horizonte”. A educadora garante que essa percepção permite uma parceria de mão dupla: “A gente pensa sobre o quão importante é ter um museu como vizinho. Mas também queremos que eles pensem o que representa ter uma escola tão próxima”, aponta demonstrando o interesse da instituição de se relacionar com a cidade em uma perspectiva educadora.” Continue lendo.

#3 Como Nasce uma Escola: a gestão democrática como condição para a educação integral

Na terceira reportagem da série Como nasce uma escola?, o Instituto Casa Viva Educação e Cultura, conta como vem constituindo a experiência de efetivar a gestão democrática dentro da instituição.

“A estrutura também gera um aprendizado para a equipe que, diariamente, é convidada a sair do seu lugar de conforto. “Geralmente, nós professores nos sentimos seguros em sala de aula, frente ao conhecimento que temos.” Esse deslocamento, como avalia, é importante para desafiar os professores e também fortalecê-los, já que com a amplitude de funções, acabam por se tornar gestores educacionais do espaço. “Somos aproximados de todos os assuntos da instituição. Há essa percepção do coletivo, justamente por não existir uma instância superior para definir as diretrizes ou os cuidados necessários com a escola”, declara.

Outro desafio vem com as mediações de conflitos, bastante presentes na rotina da escola, por um ponto essencial. “A forma de triangular essas questões é bem diferente quando estamos diante de uma criança ou um adolescente”, coloca o educador. A estratégia para melhor conduzir esses casos é deixar que, preferencialmente, os professores dos ciclos correspondentes façam essas intervenções.” Continue lendo.

#4 Como Nasce uma Escola: formação continuada amplia aprendizagens de professores e estudantes

Aprender não é algo que se encerra nos bancos escolares, nas carteiras da graduação ou em alguma pós. É um processo empreendido ao longo de toda uma vida. Com isso em mente, o Instituto Casa Viva conta como tem procurado garantir uma formação continuada para seus educadores.

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“Por outro lado, há um empenho para que as aprendizagens dos professores se diversifiquem na própria instituição, também levando em conta as especificidades de cada estudante. “Nossas crianças e adolescentes têm características muito diferentes que a base teórica sozinha não dá conta de contemplar”, observa Aline. Para ela, é fundamental que esses conhecimentos se amparem nas vivências, em espaços que prezem pelo encontro de práticas, discussão, revisão e atualização delas. (…)

Além disso, todos os meses são realizados encontros gerais onde se discutem assuntos comuns à toda a comunidade escolar. Nesses espaços são dados avisos coletivos, avaliadas as necessidades de assembleias com os alunos, entre outras possibilidades.” Continue lendo.

#5 Como Nasce uma Escola: familiares são convidados a tomar decisões

Mais do que reunião de pais ou ajudar no dever, numa educação ativa, a ”ideia é que os familiares assumam decisões e responsabilidades escolares em conjunto com a equipe, e entendam que a participação não só é bem vinda como necessária para que a educação se dê em um contexto dialógico e diverso”.

Para estimular essa participação, o Instituto Casa Viva criou o projeto Escola de Pais. “Embora novo na casa – são dois meses desde o seu lançamento – ele vem consolidando um espaço participativo e democrático no Instituto. E isso se dá mensalmente em encontros com as famílias, livres de qualquer vinculação à série dos estudantes ou de outros agrupamentos. “É um momento dos pais, integrantes dessa comunidade, com a equipe; e não se trata de uma agenda de comunicação, no sentido de comunicar algo (como comumente é feito na reunião de pais), mas de formação e construção coletiva”, explica Andrea Andrea Aparecida de Araujo Zica, professora. Leia mais.

#6 Como Nasce uma Escola: Instituto Casa Viva promove debate do direito à cidade

Localizada no bairro Cidade Jardim, da capital mineira, a escola buscou ao longo de seu primeiro ano buscar se conectar ao território, à comunidade e à cidade.

“A relação do Instituto Casa Viva com a comunidade e o território em que está inserido, bairro Cidade Jardim, em Belo Horizonte, vem sendo lapidada de dentro para fora nesses 10 meses de existência da instituição. “Estamos construindo o nosso lugar, pesquisando e, com isso, entendendo a nossa relação com a localidade, que parte inclusive da casa que hoje ocupamos, visto que ela já foi uma moradia e já serviu ao comércio local, ou seja, traz memórias da região”, coloca Guto Borges, professor na área de eletivas e de Audiovisual.

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Recuperar as histórias do bairro tem sido a principal estratégia da escola para estruturar um envolvimento mais sólido entre a comunidade escolar e a do entorno. “Estamos trabalhando com a composição do passado para mapear o presente e significar o futuro”, declara. Para o docente, esse movimento vem sendo fundamental para que a escola construa com os jovens as vontades e desejos acerca do território.” Siga lendo.

#7 Como Nasce uma Escola: instâncias de participação e deliberação dão voz à juventude

Um banheiro sujo é um grande oportunidade pedagógica para olhares atentos. Decidir se ele será dividido por gênero, quem é responsável por sua manutenção e como será preservado é tarefa dos estudantes, que decidem questões estruturais da escola em assembleias.

A professora Andrea também entende que o acúmulo dessas experiências possibilita aos alunos vivenciarem a democracia e assimilarem que a vontade individual pode ser vencida por uma decisão da maioria e que, assim sendo, é necessário aprender a respeitar as decisões coletivas, sem boicotes. “São aprendizagens subliminares que se transformam em uma experiência democrática que vai para a vida”, reforça.

O apoio às decisões juvenis também reverberam na própria escola e na comunidade do bairro Cidade Jardim, local onde o Instituto se localiza. Os estudantes já mostram interesse em questões do território e se articulam buscando soluções mais sustentáveis para a região, caso do coletivo Contra Corrente que tem como pauta principal a questão da mobilidade urbana. “Tudo isso nasce a partir de uma relação com a escola que, por ser uma instituição de formação, tem o papel de potencializar esses discursos”, finaliza a docente.” Siga lendo.

#8 Os estudantes dão seu parecer

Encerrando o ano e a série, quem veio dizer o que acha foram os estudantes. Em um vídeo, alunos de diferentes idades contaram como é a rotina da escola e o quanto aprendem com a convivência democrática e inclusiva no Instituto Casa Viva Educação e Cultura. Confira abaixo: