Transformar a cidade

Van coleta depoimentos de violência contra mulheres nas ruas de São Paulo

Após as histórias e agressões de mulheres de todo o país tomarem as redes sociais, com as campanhas Chega de Fiu Fiu, #meuprimeiroassédio e #meuamigosecreto, um grupo de mulheres, em conjunto com uma produtora de vídeo, resolveu trazer essa questão para um dos campos físicos desta batalha: o espaço público, as calçadas e as ruas da cidade de São Paulo, durante a Semana Internacional da Mulher.

Desde segunda-feira (7/3) e até o final desta semana, uma van do projeto “Precisamos falar do assédio” estará estacionada em locais públicos da capital paulista para colher depoimentos. Após a coleta, eles serão editados e transformados em um vídeo que será projetado nos muros e fachadas da cidade, assim como em escolas, bibliotecas públicas, cineclubes e centros culturais.

A van-estúdio usado para captar depoimentos das mulheres.

A van-estúdio usado pelo “Precisamos falar do Assédio” visa chamar mulheres e despertar o debate.

Precisamos falar do assédio l Reprodução

Quando a gente fala em assédio, estamos evocando toda a gama de violências que perpassam o corpo da mulher no dia a dia, desde o fato de ter que escolher que roupa vai usar em função dos gritos que vai receber até a violência doméstica”, acredita Paula Sacchetta, jornalista e diretora do projeto.

Projeto divulgou datas e locais onde a van estará estacionada para quem quiser dar seu depoimento,

Projeto divulgou datas e locais onde a van estará estacionada para quem quiser dar seu depoimento,

Precisamos falar do assédio l Reprodução

No primeiro dia de rua, foram 12 depoimentos colhidos, que deverão constar no site da iniciativa. Do lado de fora da van, há um representante da Secretaria Especial de Política das Mulheres, que oferecerá assistência às vítimas de violência sexual. Quem não se sentir à vontade em mostrar o rosto, a iniciativa oferece quatro máscaras feitas pela diretora de arte Juss, que representam o medo (amarela), raiva (vermelha), vergonha (roxa) ou tristeza (azul).

A ideia é que a van, disposta em local público, também seja um convite ao debate. No primeiro dia de ação, o público em geral - homens e mulheres - se aproximou, curiosos. ”Esperamos criar um espaço seguro para depoimentos e que eles não sejam induzidos, mas venham de maneira espontânea”, afirma a jornalista.

As quatro máscaras usadas por mulheres que não se sentirem à vontade para mostrar o rosto.

As quatro máscaras usadas por mulheres que não se sentirem à vontade para mostrar o rosto.

Precisamos falar do Assédio l Reprodução

“Queremos que isso dê continuidade a essa luta, que começou há muito tempo, mas vem ganhando cada vez mais força nas ruas e nas redes. A coragem de uma em falar acaba motivando outras falas e assim vão se rompendo os silêncios. Toda mulher tem uma história para contar”, conclui.