Aprender na cidade

Prêmio Criativos da Escola motiva estudantes a transformarem suas comunidades

Em uma escola estadual,  no município de Correntina (BA), estudantes começaram a debater os termos que aprendiam em casa e não encontravam nos dicionários. Pensando sobre preconceito linguístico e cultura local, resolveram fazer algo sobre este tema e saíram entrevistando os idosos da cidade para conhecer suas histórias, verbos e adjetivos. Dessa atividade, nasceu o “Pequeno Grande Dicionário”, que “eterniza” a cultura oral do município, com pouco mais de 30 mil habitantes.

Na EMEF Ernesto Gurgel Valente, de Aquiraz (CE), um grupo de estudantes do oitavo ano, preocupado com o bosque do entorno da escola, que andava descuidado, limpou e plantou mudas nativas, transformando o lugar em um laboratório vivo de ciências e cidadania. Conquistaram o coração da cidade e começaram a receber as mais diversas colaborações.

O bosque hoje abriga muitas aulas e é considerado um "laboratório vivo".

O bosque hoje abriga muitas aulas e é considerado um “laboratório vivo”.

Criativos na Escola/Divulgação

Essas duas experiências, que mostram na prática as potências do território na educação, foram contempladas na primeira edição do prêmio Criativos da Escola, que está com inscrições abertas para sua segunda edição.

O prêmio incentiva crianças e adolescentes a agirem sobre suas realidades, com protagonismo, empatia e criatividade, buscando soluções para problemas locais e novas maneiras de se fazer educação. Ele faz parte do “Design for Change”, fundado pela educadora indiana Kiran Bir Sethi, da Riverside School, e está presente em 35 países, tendo atingido mais de 25 milhões de crianças.

No ano passado, o Criativos da Escola recebeu 419 inscrições de projetos, de 201 municípios e selecionou apenas cinco. Nesse ano, serão dez. “A gente percebeu que tem material bom de sobra. Podíamos ter selecionado quarenta”, garante Carolina Pasquali, coordenadora do Projeto Criativos da Escola e diretora de Comunicação do Instituto Alana.

Ela relata que os alunos dos projetos selecionados vieram até São Paulo em dezembro para um encontro de três dias, acompanhados de dez educadores, para trocar experiências e planejar ações futuras. Saíram com vídeos, manifestos, ideias e conectados em rede.

"Azular" (sumir), "Sutilin" (pedido de silêncio) e "Travial" (vida de sempre) foram algumas das riquezas inventariadas pelos estudantes.

“Azular” (sumir), “Sutilin” (pedido de silêncio) e “Travial” (vida de sempre) foram algumas das riquezas inventariadas pelos estudantes.

Criativos da Escola/Reprodução

“O objetivo dessa premiação sempre foi ser um gatilho para formação de redes, que os jovens e educadores sintam que o que fazem tem sentido e pode mudar o mundo. Queremos provocar a escola a acreditar que a criança deve ter condições de sentir, imaginar, fazer e compartilhar”, acredita Carolina, que reforça que o prêmio também visa ajudá-los a enfrentar os desafios na volta para casa.

As inscrições podem ser feitas pelo site do Criativos da Escola até 15 de outubro deste ano e cada uma das dez iniciativas selecionados receberá dois mil reais para investir no projeto ou celebrar a conquista, 500 reais para os educadores de cada equipe e uma viagem para um destino surpresa no país, onde as dez equipes vencedoras irão se encontrar.