Aprender na cidade

E-book traz a importância da família no desenvolvimento integral das crianças e adolescentes

Qual é a importância das famílias no desenvolvimento integral de crianças e adolescentes? Para tentar responder a essa pergunta, a Associação Cultural Casa das Caldeiras, em parceria com a Fundação Itaú Social, convidou diversas famílias para entender como elas enfrentam os desafios que perpassam a criação de seus filhos em pleno século 21.

O resultado dos encontros pode ser conferido no e-book Manual da Família - A difícil arte de educar no século XXI”Dividido em quatro capítulos – “Sou Família”, “Eu Sinto”, “Competências e Habilidades Socio-Relacionais” e “Eu Posso” -, o livro traz um histórico das transformações dos modelos familiares nas últimas décadas, assim como reflexões e dicas de como os pais podem participar mais ativamente da vida dos filhos. Dentre as opções para maior envolvimento entre as famílias, a importância da ocupação da cidade é uma das alternativas.

 

Para a presidenta da Associação Cultural Casa das Caldeiras, Karina Saccomanno Ferreira, a ocupação do espaço urbano por famílias ainda é um movimento em construção que pode ser positivo na criação dos meninos e meninas. Karina defende que, para que haja respeito às diferenças, é preciso estar próximo à elas.

“Uma criança que fica fechada, dentro do condomínio, que não tem acesso a nenhum contexto diferente e fica em um ambiente protegido, [terá dificuldades] de percepção e respeito ao diferente. Fazer passeios de ônibus, usar transporte público, é essencial porque você encontra pessoas diferentes. Se todo mundo tivesse experiências diferentes, seria mais fácil de respeitar o outro, e a cidade proporciona isso.”

Oficina com as famílias.

Oficina com as famílias.

Divulgação

Ao folhear o livro, é possível conferir relatos de como estas famílias se dividem no serviço doméstico e os desafios de conciliar a rotina do trabalho com a criação dos pequenos. Segundo Karina, o acolhimento efetivo da família pode também colaborar no processo educativo das crianças. “Há estudos que comprovam que o desempenho na escola está diretamente ligado à capacidades não-cognitivas, de convivência, saber trabalhar coletivamente, e isso é essencial no mundo atual”, aponta.

Durante as oficinas, pais, mães e filhos foram colocados juntos, em dinâmicas que garantiam não apenas a troca entre eles, mas também com as outras famílias presentes, oriundas de diferentes classes sociais, religiões e formatos.

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Divulgação

O capítulo “Sou Família” descreve como as famílias utilizam a criatividade para compreender as dificuldades e desafios que são postos no cotidiano familiar. Já o capítulo “Eu sinto” traz as emoções para o centro do debate, uma vez que o reconhecimento dessas sensações podem auxiliar no desenvolvimento da identidade dos sujeitos, ressaltando competências não-cognitivas como potência: empatia, respeito ao outro, autonomia, estabilidade emocional, capacidade de superar fracassos, sociabilidade, curiosidade, perseverança. “Por meio do conhecimento das emoções, é possível ter mais conhecimento sobre si mesmo e, assim, conseguir avançar em algumas habilidades”, aponta.

Sem academicismos ou fórmulas prontas, o livro é destinado às famílias que buscam inspirações para driblar as questões que permeiam o cotidiano. “Nós demos um tom para empoderar as famílias e fazê-las entender que existem as emoções. Existe uma potência dentro de cada um que pode ser desenvolvida – basta você trazer para si e para o seu cotidiano hábitos saudáveis de vida familiar, na vivência, no cotidiano, que você conseguirá avançar essas habilidades socioemocionais.”