Criar na cidade

Projeto reúne moradores para criar mapa afetivo do bairro

“Há uma demanda em nosso mundo por novos sentidos. Precisamos encontrar caminhos para o futuro e acredito que essa iniciativa, pelo fato de ser compartilhada e participativa, pode ajudar a formar o tear de um imaginário sobre presente e sobre o Butantã. Acho que é um pouco um levantamento do hoje, do presente para o futuro.”

É dessa forma que a museóloga Pati Diphusa define a missão que empreende agora, em conjunto com o Centro Cultural do Butantã: a construção com apoio dos moradores do bairro de um mapa afetivo do bairro que compreende os bairros de Vila Gomes, Vila Indiana e Jardim Rizzo, na cidade de São Paulo.

As oficinas, que começam neste sábado (15/10) e se estendem até 3/12, realizarão um levantamento afetivo do território, identificando, a partir dos moradores e de suas vivências cotidianas, a atmosfera cultural do bairro, os pontos e lugares culturais e estéticos, as manifestações sociais e culturais e efêmeras e as pessoas que habitam a região.

Os primeiros encontros, entre 15 e 22 de outubro, irão se focar nos caminhos, paisagem, topografia e meio ambiente. Entre 29 e 5 de novembro, os encontros se debruçarão sobre os temas da economia sustentável, criativa, natural e de subsistência na região. Entre 12 e 19/11, a ideia é mapear as iniciativas culturais e grupos fixos, assim como as expressões artísticas e estéticas da região. Os últimos encontros, entre 26/11 e 3/12, listarão manifestações socioculturais, encontros, eventos, ambulantes e personagens, sempre aos sábados, às 9h30 da manhã

“[As oficinas] foram pensadas para ativação do imaginário coletivo sobre o lugar. Para contemplar expressões aparentemente subjetivas e individuais que no entanto são parte de coletividades e de sociabilidades. Para valorizar o campo dos afetos, da sensorialidade e sensibilidades. Porque o Butantã merece um mapa que reúna tudo isso num só lugar. Porque tem muita coisa legal acontecendo por aqui”, afirma a descrição do evento.

Festa do Boi Mirim, no Morro do Querosene, é patrimônio da região.

Festa do Boi Mirim, no Morro do Querosene, é patrimônio da região.

Marco Gomes via Flickr/Creative Commons

Museologia do hoje

Além de tornar as ofertas alternativas e culturais da região mais acessíveis para o visitante e a comunidade, Pati enfatiza que a realização do mapeamento afetivo é um primeiro passo na criação de um museu de cidade no bairro. “Os museus são vistos como instituições relacionadas ao passado, mas eles não são só isso. Temos os museus de cidade, os comunitários ou museus ‘sociais’ , que procuram tratar de questões da  sociedade, trabalhando com assuntos de hoje. Assim, a exposição , contribui na construção de novas referências culturais na busca de soluções.”, explica a museóloga, que em seu mestrado, pesquisou a exposição permanente doMuseu Histórico e Pedagógico Índia Vanuire.,  em vigor desde 2012, onde houve participação do grupo indígena Kaingang na escolha e confecção dos objetos expostos.

“Eu quero que os moradores venham mostrar  como é o seu  bairro, como são afetados pelo que faz parte da sua vida cotidiana, pelos caminhos que faz a pé,  para a juntar isso numa cartografia do tangível e do intangível dessa área, que abrange aproximadamente um quilômetro de raio”, projeta, ao descrever que a pedra fundamental de uma iniciativa como essa é reconhecer e conhecer seu entorno.

Para essa caminhada, ela ressalta a importância do apoio do Centro Cultural do Butantã e acredita que o caminho se faz caminhando. “Se alguém daqui a duzentos anos acessar esses registros e conseguir entender como a gente vive hoje, já é um um ganho. O mapeamento afetivo do presente também visa ao futuro”, finaliza.

Portanto, se você é morador ou moradora, conhece o bairro a céu aberto, gosta de caminhar, andar de bicicleta, skate, com o cachorro, de ir á padaria ou se já se mudou mas guarda lembranças, fotos, histórias da região, envie um e-mail para centroculturalbutanta@gmail.com ou acesse o evento do Mapeamento Afetivo do Butantã. É cobrada uma taxa de R$ 100 reais por todo o processo ou de R$ 30 por módulo, mas a organização reforça: “não deixe de fazer por causa de grana”. O Centro Cultural Butantã fica na Avenida Corifeu de Azevedo Marques, 1880.