Aprender na cidade

Em Alagoas, escola rural utiliza realidade local para transformar ensino

por Raquel Marques, do Promenino.

A Escola de Ensino Fundamental Benjamim Felisberto da Silva, localizada em Arapiraca (AL), pode ser considerada um caso de sucesso e motivo de inspiração para outras instituições do Brasil, ao mostrar que é possível integrar os saberes tradicionais do campo no processo de ensino-aprendizagem.

A formação online de professores, feita a partir de um curso da Plataforma Escolas Conectadas, resultou na apresentação de um projeto inovador realizado com os alunos do 4º e 5º ano do Ensino Fundamental, sobre a relação das ervas medicinais com o funcionamento de cada órgão do corpo humano. O evento ocorreu em setembro de 2016, na Casa de Cultura de Arapiraca, como parte do 2º Fórum para aprovação do Selo UNICEF.

A escola já utilizava a contextualização do campo de forma interdisciplinar, por meio do cultivo de hortas, cuja produção serve como alimento na merenda escolar, e uma “farmácia viva”, feita com ervas medicinais. Após a realização do curso, os professores adaptaram a formação para a sala de aula, fazendo com que os alunos colocassem a mão na massa e produzissem até uma maquete com as plantas da região.

“O curso abordava o conhecimento destas ervas de forma mais ampla, então nós adequamos a metodologia com a nossa realidade para facilitar o entendimento dos alunos”, explica a professora Welma Celestino, que fez o curso na plataforma e ficou muito satisfeita com o retorno dos estudantes. “Os alunos adoraram e ficaram curiosos sobre as plantas que não conheciam. Eles aprenderam, de fato, sem a necessidade de decorar. E é esse tipo de estímulo que buscamos para nossas crianças”.

Para a execução do projeto, a escola contou com o envolvimento do Centro de Apoio às Escolas de Campo Adalberto Saturnino de Almeidaórgão da Prefeitura de Arapiraca que funciona como um braço das escolas rurais do município e região, oferecendo formação a crianças e jovens por meio de cursos e aulas práticas voltadas ao desenvolvimento agrícola familiar, produção de alimentos, cuidados com o meio ambiente, alimentação de frangos e o abastecimento do tanque de peixes.

“O resultado foi fantástico e o uso da plataforma só serviu para aprimorar o trabalho que já fazemos desde 2007, unindo a realidade do aluno com o campo”, diz Ednalva Pinheiro, coordenadora da escola e gestora do Centro de Apoio.

Curso da plataforma Escolas Conectadas ajudou a potencializar uma iniciativa que vem transformando a realidade de um município alagoano.

Os reflexos deste trabalho em diversas escalas comprovam a mudança de realidade.

Reprodução

A gestora conta que, há alguns anos, a escola passou por diversas dificuldades e quase foi fechada. Mas o conceito de trabalhar a saúde que vem da terra não só ajudou no desenvolvimento dos alunos, como adquiriu uma dimensão mais ampla e afetou positivamente todo o município. “Nosso trabalho foi além da educação e chegou à área da saúde e assistência social”.

Os reflexos deste trabalho em diversas escalas comprovam a mudança de realidade. O projeto ainda rendeu diversas premiações e até a visita de embaixadores do Nepal e da África do Sul.

O resultado satisfatório também pode ser visto por meio da comercialização de produtos fitoterápicos à comunidade com o objetivo de manter a sustentabilidade do projeto, que ganhou força após a escola participar de um edital do Ministério da Saúde e disponibilizar uma verba voltada a esta produção.

Para Ednalva, a vontade de crescer só aumenta. “Estamos sempre em busca de projetos que nos ajudem a continuar engrandecendo nosso trabalho e o que não faltam são cursos e oportunidades voltados a este fim”.

A Fundação Telefônica Vivo realiza a mobilização presencial de professores de cursos na Plataforma Escolas Conectadas desde 2013. Pelo segundo ano, o município de Arapiraca recebeu o workshop de formação.