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Ações protestam contra genocídio da população negra no Brasil

Dados do 10º Anuário de Segurança Pública, divulgado recentemente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, comprovam algo que há muito se sabe, mas também há muito se esconde: a letalidade da polícia militar brasileira. Uma das comparações mais chocantes mostra que as forças públicas de segurança no Brasil precisam de apenas seis dias para matar o mesmo que a polícia do Reino Unido em 25 anos: 55 pessoas.

No fim de outubro, em São Paulo, cinco jovens negros desapareceram na zona leste da capital. Sequestrados, desaparecidos e torturados, seus corpos foram encontrados no dia 7/11 em uma área rural de Mogi das Cruzes. Mais uma vez, a suspeita pelos assassinatos recai sobre a Polícia Militar do Estado de São Paulo, apesar do secretário de Segurança Pública ter afirmado que a corporação sofre preconceito.

Voltando um pouco mais no tempo, em agosto de 2015 um grupo de extermínio matou 17 pessoas em Osasco e Barueri, na região metropolitana da capital, e três policiais militares e um guarda civil foram apontados como autores da chacina.

A população paulistana, porém, não deixará a sucessão de tragédias ser esquecida. Como parte da ação Novembro negro: ações contra o genocídio em São Paulo, acontece nesta quinta-feira (17/11) o lançamento da campanha #BlackBraziliansMatter e do livro “Mães em Luta – 10 anos dos Crimes de Maio”, organizado pelo jornalista André Caramante, com prefácio de Eliane Brum e perfis das Mães de Maio.

A ação Novembro Negro realizou, no dia 10/11, um ato-vigília em repúdio e em memória dos cinco jovens negros sequestrados na zona leste de São Paulo e então assassinados.

Já no sábado, dia 19/11, ocorrerá o Tribunal Popular contra os Genocídios Negro, Indígena, Pobre e Periférico, no Jardim Ângela, extremo sul da capital. O evento, que acontece na rua Luiz Baldinato, 9, tem a intenção de colocar o Estado no banco dos réus para julgar os crimes cometidos contra as juventudes da região.

No domingo (20/11) será realizada a Marcha da Consciência Negra, com concentração a partir das 10h no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo (MASP), na avenida Paulista. Ainda no domingo, Dia da Consciência Negra, acontece a Marcha da Periferia de São Paulo.

(A foto que ilustra essa matéria é de Gutierrez de Jesus Silva via Flickr/Creative Commons)