Aprender na cidade

Retrospectiva 2016: Aprender com as infâncias

Escutar as infâncias é muito mais do que ouvir uma criança falar. É saber ouvir o que foi este tempo dentro de si, é conseguir ver no brincar portas para outros futuros, é encarar que a menor medida é a que comporta mais gente, entender que quem está na fase em que aprender é natural, tem muito a ensinar.

Ao longo do ano, levando adiante seu compromisso com as Cidades Educadoras e as Cidades para Crianças, o Portal Aprendiz se esforçou em produzir, traduzir e escutar o melhor deste conteúdo para produzir reflexões, escutas atentas e transformações em nossas cidades e sujeitos.

Confira abaixo nossos principais destaques:

As crianças de hoje não têm tempo, espaço e permissão para brincar livremente. Seus lugares são controlados, as horas escolares cresceram e a organização das cidades desfez laços comunitários, tornando o espaço público inacessível e perigoso. Tudo isso tem profundos impactos no aprendizado e no desenvolvimento das pessoas. Essa é a opinião do psicólogo evolucionista Peter Gray, autor do livro Free to Learn (Livres para aprender, em tradução livre).

Peter Gray fala sobre o brincar.

“A educação tradicional não foi pensada para estimular o espírito crítico”

Em janeiro deste ano, o Portal Aprendiz entrevistou, via Skype, o professor de psicologia evolutiva do Boston College, que também mantém um blog no Psychology Today, chamado Freedom to Learn, no qual ele compila diversos dados e artigos de opinião sobre educação, o direito ao brincar e direitos humanos. Leia mais.

 #2 Red OCARA inspira cidades latino-americanas a pensar mobilidade urbana para crianças

Lançada em novembro de 2013, a Red OCARA é um portal online que compila experiências bem sucedidas de participação infantil em iniciativas que reúnam conceitos de cidade, arte, arquitetura e espaço público. “Nosso objetivo é amplificar o alcance desses trabalhos, para que eles inspirem outros ambientes urbanos e sociais semelhantes”, declara Irene Quintáns, arquiteta e urbanista, fundadora e diretora da Red.

Com experiências registradas em 13 países, iniciativa internacional já listou cerca de 80 projetos que trabalham com mobilidade urbana e infância.

“O que vemos hoje é uma rotina muito restrita para as crianças, com pouquíssimo tempo para brincarem livremente”, ressalta Irene. “Quando uma criança cresce dentro de sua casa, de sua escola, do shopping, sendo apenas transportada de um lugar a outro dentro de um veículo motorizado, é privada de uma série de vivências que contribuem para o seu crescimento, educação e saúde integral. Aprender na cidade e com a cidade e as pessoas é fundamental”. Leia mais.

 #3 Porque as crianças aprendem mais com contos de fantasia do que com histórias realistas

Trabalhos mostram que fantasia pode ser instrumental para aquisição de conhecimento

Em artigo publicado originalmente no Aeon Ideias e traduzido pelo Portal AprendizDeena Skolnick Weisberg, pesquisadora sênior do departamento de psicologia da Universidade da Pensilvânia, disserta sobre o papel e a importância da fantasia não apenas para a imaginação das crianças, mas como um lugar de aprendizado intenso.

“Por muito tempo, tanto pais como pesquisadores supuseram que esses “voos de fantasia” eram, na melhor das hipóteses, inofensivos episódios de diversão – talvez necessários para a descontração de quando em quando, mas sem qualquer propósito real. Na pior das hipóteses, alguns defendiam que tais momentos eram distrações perigosas da importante tarefa de entender o mundo real, ou manifestações de uma confusão pouco saudável sobre a barreira entre realidade e ficção. Mas agora, novos trabalhos no campo da ciência do desenvolvimento mostram que não apenas as crianças são plenamente capazes de separar realidade e ficção, mas também que a atração por situações fantásticas pode na verdade ser bastante útil para o aprendizado”, defende. Leia mais.

#4 Tonucci: “É partindo da infância que se constrói uma cidade para todos”

Pensador, pedagogo e desenhista, o italiano Francesco Tonucci é uma das vozes mais ativas e influentes do mundo no que diz respeito à participação social da infância na discussão pública sobre o futuro das cidades.

"Fonte das Crianças" é um marco da cidade galega de Pontevedra.

Célebre por ter criado a iniciativa “Cidade das Crianças”, que aposta na transformação das cidades a partir do olhar das crianças que nela habitam, Tonucci defende que as políticas públicas urbanas têm como tarefa garantir o direito ao brincar de meninos e meninas.

“Eu não quero uma cidade infantil, uma cidade pequena. Não quero uma cidade montessoriana. Quero uma cidade para todos. E para estar seguro de que não esquecerei ninguém, escolho o mais novo”, afirma, em entrevista. Leia mais.