Criar na cidade

Em exposição, moradores do Bixiga criam obras que retratam a história do bairro

por Victor Matioli, do Jornal da USP.

A Casa de Dona Yayá, que desde 2004 abriga o Centro de Preservação Cultural (CPC) da USP, inaugurou, no dia 1º de dezembro, a exposição Cores do Bixiga na Yayá. As obras, que serão exibidas até o dia 24/3, foram criadas por jovens e idosos do bairro do Bixiga durante duas oficinas que foram ministradas na Casa. A intenção era que os oficineiros retratassem, a partir de suas percepções, os elementos, tons, sabores e texturas do bairro. Todo o processo criativo foi coordenado pelo artista plástico e antropólogo Wagner Lins, mais conhecido como Arieh.

A proposta de realização das oficinas partiu do próprio Arieh, que teve contato com a Casa de Dona Yayá durante sua pós graduação na USP. Segundo ele, a ideia primordial era trazer a comunidade para ocupar este espaço público. Surgiu então uma primeira proposta desenvolvida para um grupo de 10 adolescentes da região: contar, à sua maneira e com os recursos disponíveis, a história de Dona Yayá.

Durante a oficina, os jovens ilustraram a rotina de confinamento de Yayá, além dos dramas familiares e o amor platônico pelo aviador Edu Chaves. Arieh propôs que os adolescentes criassem suas ilustrações a partir da arte Näif, ou arte ingênua, desprendida de dogmas estilísticos. “Nossa intenção era retratar as casas, o bairro e toda a história do Bixiga. Também queríamos construir um novo acervo para a Casa, que já tinha documentos, jornais, fotos, mas não este tipo de ilustração”, conta o artista.

“O grande legado desta oficina é justamente a integração espontânea que atingimos com a comunidade do Bixiga”, aponta Arieh sobre a experiência que coordenou junto ao CPC.

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Serviço
Exposição “Cores do Bixiga na Yayá”
Data: até o dia 24/3, aberto de segunda à sexta-feira
Horário: das 9h às 17h
Local: Rua Major Diogo 353, Bela Vista (São Paulo/SP)
Entrada gratuita