Aprender na cidade

Prêmio Territórios Educativos reconhece projetos que unem escola e comunidade

Na manhã desta quarta-feira, foi oficialmente lançada a segunda edição do Prêmio Territórios Educativos, que vai potencializar 10 iniciativas pedagógicas que integrem os saberes escolares e comunitários conectando ensino, cultura e comunidade. As inscrições vão até 7 de agosto e os vencedores serão divulgados no dia 13 de setembro.

“A ideia do Prêmio é reconhecer experiências que explorem as possibilidades educativas no território da cidade, uma ideia que vem sendo discutida no mundo todo em decorrência de um esgotamento do modelo tradicional de Educação”, diz Felipe Arruda, diretor de Cultura e Participação do Instituto Tomie Ohtake, que idealizou o Prêmio. “Acreditamos que a Educação se dá na sala de aula, mas também em parques, praças, feiras, casa dos vizinhos, correios e cemitérios, como nossas iniciativas do anos passado nos mostraram. É uma ideia que tem que começar na infância, mas seguir na juventude e mesmo na vida adulta devemos ter essa missão”, completa.

Podem se inscrever no Prêmio os professores da rede pública municipal de São Paulo, que tenham ações ou projetos em andamento que contem com a participação de membros da escola ou comunidade. Leila Oliva, da Secretaria Municipal de Educação (SME), parceira do Instituto Tomie Ohtake na realização do Territórios Educativos, enfatizou que o Prêmio consegue dar às ações uma visibilidade que não conseguiriam sozinhos. “A permeabilidade entre escola e comunidade é orgânica, a educação só atinge seus fins éticos, políticos e estéticos quando integra saberes formais e  comunitários”, disse. A representante da SME defendeu o caráter educativo da cidade e completou que “professores que realizam ações desse tipo muitas vezes o fazem sozinhos, de maneira heroica, e não é assim que a gente quer. Queremos fazer disso uma prática cada vez mais institucionalizada”, disse. “A cidade é educadora quer a gente queira ou não.”

Felipe Arruda, do Instituto Tomie Ohtake, idealizador do Prêmio

Felipe Arruda, do Instituto Tomie Ohtake, idealizador do Prêmio

Ricardo Miyada/Divulgação

O objetivo do Prêmio Territórios Educativos é reconhecer e fortalecer ações que envolvam, além das disciplinas curriculares, o campo da cultura em sua ampla acepção e diversidade. As inscrições podem ser realizadas no site do prêmio e os trabalhos serão avaliados por um júri de especialistas das áreas de educação e cultura, incluindo representantes das instituições organizadoras. Os critérios incluirão a integração entre escola e território, a colaboração de membros da escola e comunidade e os efeitos gerados nos participantes, no ambiente e gestão escolares e na comunidade, além do potencial multiplicador da metodologia utilizada.

Os vencedores receberão, cada um, uma bolsa de graduação e uma de pós-graduação à sua escolha na Estácio Ensino Superior, que patrocina a iniciativa e estava representada no lançamento por Rita Elvira, Pró-Reitora da Estácio em São Paulo, e Alexandra Witte, da Diretoria de Comunicação Corporativa, Parcerias e Sustentabilidade. As bolsas de estudo podem ser para os professores ou para membros da comunidade envolvidos com o projeto. Os professores, co-realizadores e participantes dessas experiências, serão também convidados para encontros com especialistas de educação e cultura e terão suas ações registradas em pequenos documentários. As ações de premiação ocorrerão entre setembro e outubro e o Encontro de Territórios em novembro.

Em 2016, foram mais de 60 inscrições e 10 projetos selecionados. “Esse ano, a expectativa é mais do que aumentar esse número e sim colocar essa pauta como uma constante da sociedade”, diz Felipe Arruda, do Instituto Tomie Ohtake. “Entendemos que nosso papel como instituição de arte e cultura é criar a articulação com o poder público, que movimenta a rede de professores para dar visibilidade às ações que já estão acontecendo”.

Um dos premiados do ano passado foi Leno Ricardo Vidal, arte-educador da EMEF José Alcântara Machado Filho, e que realiza uma ação de promoção das culturas indígenas dentro da escola, onde grande parte dos alunos é de origem indígena. O intuito, segundo ele,  é resgatar e fortalecer essas identidades e fazer a comunidade se empoderar da escola. “Fico honrado de fazer parte de um desses 10 vencedores e de fazer parte da rede que formamos. O Prêmio Territórios Educativos tem a percepção da diversidade cultural e étnica de São Paulo e integrou projetos de diferentes regiões da cidade”. Com a bolsa, Leno faz agora pós-graduação em Gestão de Projetos na Estácio. “Estou muito feliz de voltar a ser aluno depois de 10 anos, é muito bom ter a possibilidade da formação continuada e de trazer isso de volta para a comunidade. Não existe projeto sem comunidade”, finalizou.

Laboratório Territórios Educativos

O Prêmio Territórios Educativos tem também uma missão formativa e realizará encontros com vivências voltadas à rede municipal de ensino de São Paulo nos dias 12, 19 e 26 de junho, no Instituto Tomie Ohtake, em parceria com a Cidade Escola Aprendiz. Serão três encontros mediados por profissionais que irão explorar o tema Territórios Educativos em suas diversas potencialidades e conceitos norteadores.

A distribuição das vagas e a inscrição para o laboratório serão realizadas pelas Diretorias Regionais de Educação e a seleção será publicada em um comunicado específico em Diário Oficial. O profissional que participar do Laboratório Territórios Educativos receberá certificação pela Secretaria Municipal de Educação.

Confira aqui o vídeo da 2ª edição do Prêmio Territórios Educativos.