Aprender na cidade

Jornada do Patrimônio ocupa cidades históricas do interior de São Paulo

Conhecer o patrimônio histórico por onde passa e estabelecer um novo olhar sobre a cidade. Esses são os objetivos da Jornada do Patrimônio, iniciativa criada na França e que neste ano acontece pela primeira vez no interior de São Paulo. Realizada pela Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo, a Jornada vai até dia 20 de agosto com programação especial na capital e em 15 cidades do interior, incluindo visitas guiadas para estudantes e grupos escolares.

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A interiorização da Jornada, que acontece desde 2015 na capital, é um projeto piloto da Secretaria de Cultura, que pretende expandir o evento para todo o interior paulista em 2018 e colocar de vez o turismo histórico na agenda do estado. Neste ano, municípios do litoral, grande São Paulo e do Vale do Paraíba têm programação especial para a jornada, com visitação a imóveis históricos, palestras, roteiros de passeio, aulas públicas, além de circuito gastronômico e artístico.

Constituição de 88

De acordo com o Artigo 216 da Constituição Cidadã, constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:

I. as formas de expressão;

II. os modos de criar, fazer e viver;

III. as criações científicas, artísticas e tecnológicas;

IV. as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais;

V. os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

As cidades dessa experiência piloto são Amparo, Bananal, Campinas, Cananéia, Espírito Santo do Pinhal, Guaratinguetá, Iguape, Iporanga, Itu, Jundiaí, Mogi das Cruzes, Santana de Parnaíba, Santos, São Luiz do Paraitinga e São Sebastião. Entre os dias 14 e 18 a ideia é que as escolas aproveitem o evento para abordar transversalmente os patrimônios da cidade, e no fim de semana (dias 19 e 20) os patrimônios estarão abertos para receber passeios educativos e guiados, destinados especialmente aos alunos de ensino Fundamental e Médio.

“As principais atrações da Jornada se darão no fim de semana com a abertura dos prédios públicos. Durante a semana, o foco é para que os professores trabalhem o reconhecimento dos bens históricos e do patrimônio. Patrimônio este muitas vezes próximo à casa do jovem ou que faz parte de seu percurso diário e do qual ele não sabe a história”, afirma Valéria Rossi, coordenadora da Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico (UPPH) da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.

Segundo ela, os esforços do evento são concentrados para que a população conheça as histórias da cidade, valorize e aproprie-se de seus patrimônios. “Frequentemente o munícipe não tem conhecimento do valor de sua cidade, dos elementos representativos de toda uma época ali presentes. A Jornada é uma oportunidade de vivenciar isso de outra forma”, explica.

Além das cidades do interior, a capital recebe a terceira edição da Jornada nos dias 19 e 20 de agosto, com programação em todas as regiões da cidade.

vista do casarão do chá de mogi das cruzes

Casarão do Chá, localizado em Mogi das Cruzes (SP) integra programação da Jornada do Patrimônio.

Reprodução

Trinta anos de patrimônio aberto

A Jornada do Patrimônio nasceu na França, em 1984, sob o nome “Jornada Portas Abertas nos Monumentos Históricos” e com o intuito de, literalmente, abrir as portas de locais tidos como patrimônio histórico nacional e que nem sempre estavam abertos ao público: igrejas, bancos, tribunais, prefeituras, etc. A ideia deu tão certo que espalhou-se pelo mundo todo, servindo como um período para a população conhecer os bens públicos e refletir sobre o patrimônio de sua cidade.

Os organizadores da Jornada definem patrimônio cultural como “o conjunto de valores, tradições e memórias que queremos deixar para as futuras gerações. Eles podem ser históricos, arquitetônicos, artísticos, paisagísticos, ambientais ou mesmo saberes e modos de fazer da comunidade.”

No Brasil, a Jornada chegou em 2015 na cidade de São Paulo com o mesmo objetivo de dedicar um período – no caso, um fim de semana – à  reflexão e conhecimento do rico patrimônio cultural e histórico da cidade de São Paulo.

O que não perder em 2017?

Com tantos municípios participando, não faltam opções de passeio, inclusive para explorar outras cidades. Quem está em São Paulo, por exemplo, tem seis rotas a menos de 100km de distância para explorar: Santos, Santana de Paraníba, Itu, Mogi das Cruzes, Campinas e Jundiaí.

Em Santos, o fim de semana terá um circuito de Bonde Turístico nos dias 19 e 20, com saídas às 11h e 14h. O circuito sai do Largo Marquês de Monte Alegre e passa pela Estação Ferroviária do Valongo, Santuário do Valongo, Museu Pelé, Igreja da Ordem Terceira do Carmo, Pantheon dos Irmãos Andradas, Paço Municipal e Casa com Frontaria Azulejada.

Patrimônio histórico de Itu

Em Itu, os interessados devem receber um Passaporte Cultural que será carimbado cada vez que o visitante passar por um ponto turístico determinado.

Reprodução/ Prefeitura de Itu

Em Itu, os passeios guiados também farão o circuito dos prédios tombados do Centro Histórico da cidade. Há dois circuitos sugeridos: o das igrejas e monumentos e outro de museus e espaços culturais.

Santana do Parnaíba, na região metropolitana, além de ter programação especial no centro histórico da cidade, também terá visita gratuita ao Sítio Tanquinho, que abriga um engenho de cachaça artesanal com mais de cem anos de funcionamento. O transporte sai do Centro Histórico.

Em Mogi das Cruzes o destaque é a Pinacoteca da cidade, construída em 1860 e restaurada em 2016, abrigando obras de artistas locais. Veja a programação completa da cidade.

Os curiosos para conhecer a malha ferroviária do estado poderão fazê-lo no trajeto especial entre Campinas e Jundiaí. Com saída do Paço Municipal de Campinas, os visitantes irão percorrer algumas estações de trem, entre elas a “Carlos Gomes”, batizada em homenagem ao maestro de Campinas. No passado, a estação contemplava quatro linhas ferroviárias para o embarque do café e outra plataforma para gados e pedras.

A programação completa pode ser conferida no site da Jornada do Patrimônio.