Aprender na cidade

Fórum Educação Integral para uma Cidade Educadora discute currículo

Texto originalmente publicado no Centro de Referências em Educação Integral. 

Na última quinta-feira (24/08) gestores, professores da rede municipal de ensino, representantes de equipamentos da cidade de São Paulo e sociedade civil reuniram-se no 5° encontro do Fórum de Educação Integral para uma Cidade Educadora de São Paulo, realizado na Câmara Municipal da cidade com o tema “O currículo na Educação Integral”.

O Fórum, criado em dezembro de 2016 por alguns representantes da rede municipal de ensino, organizações da sociedade civil voltadas para o fortalecimento desta agenda no país, professores e estudantes de pós graduação da Universidade de São Paulo (USP), nasceu com o intuito de fortalecer as ações e politicas de educação integral na cidade.

“Havia o desejo de criar um espaço permanente de discussão desta agenda na cidade, a partir da interlocução com as escolas e outros equipamentos e agentes da cidade”, afirma Agda Sardenberg.

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Para mais informações sobre o Fórum de Educação Integral, é possivel consultar o grupo do Facebook ou enviar mensagem ao grupo responsável pela organização, no email: forumdeeducacaointegralsp@gmail.com

A discussão da última quinta-feira deu sequência aos debates que vêm ocorrendo no formato de uma apresentação conceitual seguida do relato de experiências da rede, a fim de aprofundar a reflexão sobre os desafios e potencialidades da implementação de um projeto que ambiciona garantir o desenvolvimento dos sujeitos em todas as suas dimensões – intelectual, física, emocional, social e cultural, e em uma perspectiva de integração com a cidade como território educativo.

Agda Sardenberg foi uma das debatedoras do Fórum de Educação Integral para uma Cidade Educadora

Agda Sardenberg foi uma das debatedoras do Fórum de Educação Integral para uma Cidade Educadora

Centro de Referências em Educação Integral

A mesa foi composta pela professora da Faculdade de Educação da USP, Claudia Galian, especialista em currículo, e a diretora da EMEI Carlos Gomes, de SP, Érica Seabra, que discorreu sobre o processo de organização dos tempos e espaços para a educação integral na escola.

Claudia Galian, ao falar das diversas concepções de currículo, chamou atenção para o fato de que o currículo não corresponde a um documento. “O currículo deve ser compreendido como processo, que envolve muitas transformações”. A especialista ressaltou também a importância das escolhas feitas pela escola, que devem dialogar com seu projeto político pedagógico, sem se submeter a uma relação de subserviência com um currículo central. “O melhor currículo é o que faz sentido naquela escola. É preciso fazer escolhas, mesmo sabendo que elas são frágeis e precisam ser revistas”, complementou.

A professora ressaltou ainda o risco de se pensar a educação integral como política especial, voltada apenas para algumas parcelas da população. “Educação é para todos. Não pode se voltar apenas para uma parte da população, ou de se pensar a educação integral como um complemento “acoplado” no contraturno às disciplinas do turno regular. É preciso pensar o currículo como um todo”.

Já Erica C. Seabra, da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Carlos Gomes, de Vila Maria Alta, na Zona Norte de São Paulo, contou sobre como a escola se organizou em 12 ambientes pedagógicos para atender seus 176 estudantes em um turno de oito horas diárias. “São seis salas que incluem brinquedoteca, sala de multimídia, linguagem matemática, jogos, salas de leitura, linguagem verbal e artes. Temos também espaços externos e versáteis, como o espaço surpresa, com mesa e brinquedos. Existe a varanda do parque, o parque, a quadra, a varanda do “tigrão” e o refeitório.”

Fórum

Próximos encontros do Fórum em 2017

26/outubro e 07/dezembro – local ainda a definir.

Alguns indicadores mostram que o Fórum vem se fortalecendo na cidade. A presença constante de integrantes das escolas da rede municipal ao longo de todos os encontros, avaliando-o como espaço importante de formação e troca de experiências da rede, a vinda de outros equipamentos da cidade, como o Museu e Arte Sacra, Museu da Imigração e Museu de Arte contemporânea, manifestando interesse em estabelecer parcerias com as escolas são alguns dos exemplos.

Além disso, a organização comemora a recente aproximação do Secretaria de Educação da cidade, que deve se reunir com a comissão organizadora do Fórum no próximo mês a fim de estabelecer uma interlocução mais direta com a instância.