Aprender na cidade

Parceria entre escola e museu revela a potência de um Território Educativo

O conhecimento não se restringe ao perímetro escolar ou à academia. São muitos os saberes presentes nas pessoas, nas histórias e nos territórios, que podem educar e transformar na mesma potencialidade que os saberes sistematizados pela humanidade. Em uma Cidade Educadora, as escolas assumem esse princípio e articulam-se com os agentes do entorno para promover o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. E mais do que isso: deixam-se penetrar pelas dinâmicas do território, convertendo-se em um centro de produção de conhecimento local.  A troca é, mais do que possível, necessária.

A EMEI Dona Leopoldina, na zona oeste de São Paulo, e o Museu da Casa Brasileira (MCB) têm esses princípios incorporados e colocados em prática por meio do projeto Escola e Museu – uma experiência possível e necessária.

Nessa parceria, a equipe do MCB realiza formações quinzenais na EMEI, tanto com professores quanto com os estudantes, priorizando os eixos de arte e natureza trabalhados pela escola. Já o MCB recebe as crianças para visitas frequentes, alimentando uma relação de proximidade e pertencimento à instituição cultural.

O projeto, aliás, nasceu de uma dessas visitas, que forjou uma oportunidade de diálogo entre as partes. “Estávamos buscando uma aproximação com as escolas, e o projeto pedagógico inovador e diferenciado da EMEI Dona Leopoldina nos chamou muito a atenção. É uma escola com uma concepção e uma visão de mundo muito interessante”, relata Carlos Barmack, diretor do Educativo do Museu da Casa Brasileira.

O cerne do projeto permanece o mesmo nesses três anos: ouvir a demanda das crianças, entendendo que são elas as protagonistas do processo de aprendizagem, e trabalhar temas que contribuam para sua formação em artes e cidadania. E foi em uma dessas escutas que a parceria entre museu e escola conseguiu realizar um sonho quase unânime no imaginário infantil: construir uma casa na árvore.

Os alunos desejavam, a comunidade escolar abraçou a ideia e o MCB ficou responsável por tirá-la do papel: uma prova concreta da parceria entre escola, território e equipamentos culturais decididos a pensar uma outra educação. “Mesmo que não tivéssemos conseguido construir a casa na árvore, a lição permaneceria. O mais importante e mais rico desse projeto é justamente o processo, o diálogo e a parceria”, defende o Diretor do MCB. “São inúmeras as oficinas, conversas e ações que levam até isso. Até uma casa na árvore que, longe de ser o fim, vai ser o começo para novas pesquisas e abordagens.”

pessoas inauguram com um laço vermelho casa da árvore na escola

Inauguração da casa da árvore na EMEI Dona Leopoldina – Foto divulgação

O casamento de ideias e planos entre a EMEI Dona Leopoldina e o MCB deu certo: as partes conversam, se escutam, alinham objetivos e possibilidades, dialogando com os pais dos alunos e com outros agentes do bairro. O escopo do Museu da Casa Brasileira permite trabalhar uma gama de temas e alinha-se aos eixos definidos pela escola, como a valorização das matrizes culturais brasileiras.

Barmack ressalta, entretanto, que essa não é a única combinação possível entre escola e museu. Cada escola (e museu ou qualquer instituição cultural) tem suas singularidades, seu público, suas prioridades e questões a desenvolver. “Muito mais importante do que ser modelo, o projeto Escola e Museu é uma inspiração, porque cada unidade vai buscar as respostas para suas próprias perguntas. O importante é ter a vontade de ganhar o mundo, de expandir suas fronteiras”, reforça.

O diretor ressalta também que em parcerias como esta, todas as partes ganham, inclusive o museu, que passa a ser pensado em outros moldes e se aproxima da população. Os 270 alunos da EMEI, por exemplo, criaram uma relação afetiva com o equipamento, reconhecendo-se como parte do espaço. “No caso dos museus, sabemos que as visitas curtas são importantes, mas as parcerias mais eficientes são aquelas de longo prazo, o trabalho continuado. As crianças da EMEI não fazem uma visita turística ao MCB, mas sim enxergam valor na instituição.”

 

 

 Territórios Educativos

O projeto Escola e Museu – uma parceria possível e necessária, sob coordenação da professora Beatriz Garcia Costa da EMEI Dona Leopoldina, foi um dos 10 contemplados pela 2ª edição do Prêmio Territórios Educativos, iniciativa do Instituto Tomie Ohtake em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e patrocínio da Estácio.

O prêmio busca reconhecer e fortalecer experiências pedagógicas que exploram as oportunidades educativas do território onde a escola está inserida, integrando os saberes escolares e comunitários. Este ano, o programa recebeu 67 inscrições oriundas de todas as Diretorias Regionais de Ensino de São Paulo e de diversos tipos de unidades escolares.

Confira os outros projetos vencedores.