Aprender na cidade

Formação discutirá o território a partir de seu potenciais educativos

A cidade como território educativo: suas ruas, praças, museus e parques como espaços indispensáveis de aprendizado para a formação integral dos sujeitos. É sob essa perspectiva que se estrutura o curso “Potenciais Educativos do Território Urbano: Rumo à Cidade Educadora”, que está com as inscrições abertas.

A formação convida educadores, gestores e demais agentes públicos a ampliar suas práticas pedagógicas, fortalecendo a articulação da escola com o território e o diálogo entre educadores e os diferentes agentes educativos da cidade.

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Cultura tem papel fundamental na integração entre escola e território

A terceira edição do curso ocorrerá em quatro sábados, com encontros que duram entre três e cinco horas. Dois acontecerão no mês de abril (17 e 28/04) e dois em maio (5 e 19/05). A iniciativa foi estruturada pela parceria entre Cidade Escola Aprendiz, Escola do Parlamento, Fórum de Educação Integral para uma Cidade Educadora, Hey Sampa, UmaPAZ, apē – Estudos em Mobilidade e a Red Ocara.

pessoas se reúnem ao redor da estátua do bumba meu boi

Na foto, um dos encontros da última edição do curso / Crédito: Divulgação Cidade Escola Aprendiz

Temas em debate

Mobilidade urbana, educação patrimonial, meio ambiente e cultura popular são alguns dos temas que serão trabalhados durante os encontros, todos eles transversais a concepção de uma cidade educadora. Para isso, os parceiros envolvidos na construção curricular levaram seus múltiplos olhares para com a urbe a fim de ampliar a rede, alcançar novos públicos e fortalecer a agenda de educação integral, impossível de ser pensada sem a dimensão do território, da identidade e da história do sujeito.

Uma Cidade Educadora é aquela que, para além de suas funções tradicionais, reconhece, promove e exerce um papel educador na vida dos sujeitos, assumindo como desafio permanente a formação integral de seus habitantes. Na Cidade Educadora, as diferentes políticas, espaços, tempos e atores são compreendidos como agentes pedagógicos, capazes de apoiar o desenvolvimento de todo potencial humano.

É a primeira vez que o Fórum de Educação Integral para uma Cidade Educadora participa da estruturação do curso. Formado em 2016 por atores da rede municipal que ambicionavam um espaço de participação social, o grupo hoje se consolida como um espaço aberto para o debate de políticas públicas, formação de agentes e trocas de experiências.

Yuri Scardino, professor de História da rede municipal de São Paulo e um dos integrantes do Fórum, complementa:  “Em geral, o educador não se vê como protagonista dos processos de decisão, e a ideia é mudar isso. Convidamos a docência a revisar e reorganizar os tempos e espaços escolares”.

A cidade como sala de aula

Participante desde a primeira edição do curso, o Hey Sampa é um coletivo que versa sobre patrimônio material e imaterial da cidade, produzindo encontros entre educandos, educadores e o território por eles habitado. Como explica a facilitadora Paula Dias, “o Hey Sampa propõe um olhar abundante para o patrimônio da cidade, entendendo seu uso em uma perspectiva de prática educadora: como o ambiente escolar pode criar relações com o patrimônio e a cultura local”.

A proposta é justamente “implodir” as paredes que separam o espaço das salas de aula da cidade. Nesta perspectiva, o encontro orquestrado pelo Hey Sampa levará os participantes para um passeio pelo centro de São Paulo. “O centro é um território muito subutilizado, e ocupá-lo é sempre um ato político”, reforça Paula.

encontro na cidade

Um dos passeios promovidos pelo Hey Sampa/ Crédito: Divulgação da página do facebook

Os potenciais educativos do território também se dão nos percursos que levam ao destino final. É para entender as novas perspectivas e potências da cidade possibilitadas pela mobilidade urbana a pé e pelo caminhar e andar à deriva que o grupo apé – Estudos em Mobilidade formou-se em 2012.

“Entendemos a educação da cidade na perspectiva da caminhada, e como ela influencia na apropriação e relação com o território”, explica Julia Savaglia Anversa, uma das integrantes do coletivo.

Para participar do curso, os interessados devem se inscrever previamente em um formulário online. As vagas são limitadas.

Confira a programação completa:

17 de abril – Encontro 1 – 19h/22h
Cidades Educadoras: Concepção urbana para o desenvolvimento integral dos sujeitos
Convidado: Associação Cidade Escola Aprendiz
Local: Sala Tiradentes – Cãmara Municipal de São Paulo – Viaduto Jacareí, 100

28 de abril – Encontro 2 – 9h/14h
Cidades Educadoras: Meio Ambiente e Cultura de Paz
Convidado: UMAPAZ
Local: UMAPAZ – Av. Quarto Centenário, 1268 – Jardim Luzitania

05 de maio – Encontro 3 – 9h/13h
Cidades Educadoras: Crianças e ocupação do espaço público
Convidado: Red Ocara
Local: Associação Cidade Escola Aprendiz – Rua General Jardim, 660 – Vila Buarque

19 de maio – Encontro 4 – 9h/14h
Cidades Educadoras: Mobilidade urbana a pé
Convidado: apē – estudos em mobilidade
Local: EMEI Gabriel Prestes  – Rua da Consolação, 1012 – Consolação