Transformar a cidade

7 brincadeiras que dialogam com o território e a cultura brasileira

Se as diferentes políticas, espaços, tempos e atores da cidade são agentes pedagógicos, o aprendizado fora da sala de aula deve ser incentivado. Melhor ainda quando este acontece por meio da brincadeira e em diálogo com a identidade do território.

Nesta perspectiva, listamos 7 brincadeiras simples que dialogam com a cultura brasileira, extraídas do mapeamento realizado pelo Território do Brincar. Confira:

1. Balanço de embira

O balanço é um brinquedo comum nos parquinhos da escola, mas por que não inovar e levar a brincadeira para outros espaços? Na Comunidade Indígena Panará, localizada no Pará, por exemplo, as crianças usam a embira, que é uma tira ou casca de árvore, para balançar ao ar livre. Também é possível adaptar, fazendo um balanço com tábua de madeira amarrada a uma corda na árvore.

2. Bicudas

Ir para rua e empinar pipa é uma boa brincadeira, mas às vezes trabalhosa. As crianças de Acupe, na Bahia, encontraram uma alternativa mais simples e tão divertida quanto. Chamadas de bicudas, as “pipas” são feitas usando apenas uma folha de caderno e linha de pipa.

O primeiro passo é deixar a folha quadrada, com todos os lados da mesma medida. Depois, é preciso dobrá-la transformando o quadrado em um triângulo. O terceiro passo consiste em dobrar o triângulo novamente como se fosse um avião de papel e fazer dois furinhos nas “asas”, unindo-as com um pedaço de fita, mas sem prender muito forte. A ideia é abrir esse avião na tentativa de voltar ao quadrado inicial, mas como as extremidades estão presas, a folha ficará com um formato côncavo.

3. Ciranda

Dança típica da Ilha de Itamaracá, Pernambuco, a ciranda surgiu da tradição criada pelas mulheres dos pescadores que dançavam em roda e cantavam em ritmo lento e repetido esperando eles voltarem do mar. Nas escolas, a dança se transformou em brincadeira e é conhecida por diferentes nomes: ciranda-cirandinha, roda-roda ou brincadeira de roda. A brincadeira e as letras cantadas podem ser adaptadas para diferentes contextos.

4. Peteca de palha de bananeira

Tradicional da cultura indígena, jogar peteca é uma ótima brincadeira para se fazer ao ar livre. Geralmente, as crianças se posicionam em roda e passam a peteca de um lado para o outro batendo na base dela. Também é possível explorar outras variações, como brincar em duplas ou colocar um participante no meio da roda.

Na maioria das regiões do país, o brinquedo é feito com palha de milho. Em Abadia, Minas Gerais, o material utilizado é a palha de bananeira. Para fazer a peteca, você vai precisar separar algumas folhas de bananeira e algo como um barbante para amarrar. Primeiro, dobre uma das folhas deixando-a em um formado quadrado. Depois, embrulhe a criação em outra folha de bananeira, amarrando bem para fechar e, assim, dando forma à peteca.

5. Pião de babaçú, tucumã ou cabaça

Acredita-se que jogar pião é uma das brincadeiras mais antigas que existem. No Brasil, algumas regiões adaptaram o brinquedo para os recursos naturais disponíveis no território. As crianças de Entre Rios, Maranhão, aproveitam as sementes de babaçú para esculpir o pião. Já as crianças da comunidade indígena de Panará, no Pará, fazem o brinquedo com uma cabaça pequena ou com semente de tucumã.

6. Amarelinha de dias da semana

A amarelinha é uma brincadeira típica do Brasil e para brincá-la é comum desenhar com um giz no chão um diagrama numerado de 1 a 10. O objetivo é chegar até o “céu” se equilibrando nos quadrados desenhados. Além do formato tradicional, em alguns estados do país, como Minas Gerais, é comum brincar de “amarelinha de dias da semana”.

Nesse caso, é preciso desenhar um quadrado grande no chão com um menor dentro. Neste último deve se escrever a letra “S” de sábado. Depois, o espaço entre os quadrados é divido em seis partes. Cada uma deve levar as outras iniciais dos dias da semana. Com uma pedra, as crianças devem começar a brincar pelo domingo, representado pela letra D. Jogando a pedra nesse espaço e pulando apenas com uma perna, devem percorrer todos os dias da semana sempre empurrando a pedrinha para acompanhar. Ao chegar no sábado, fazem o caminho de volta até o domingo. Ganha quem conseguir fazer o trajeto todo sem desequilibrar.

7. Bila

Também conhecidas como bolinhas de gude, é possível brincar de bila na grama, no asfalto ou na areia. O objetivo da brincadeira é acertar as bolinhas do adversário para capturá-las. Para brincar de bila é preciso desenhar um triângulo no chão e espalhar as bolinhas pelo espaço. Então, do lado de fora, a criança tira uma bolinha tentando levar as outras para fora da área delimitada.