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6 livros escritos por mulheres que tratam da cidade e suas dinâmicas

Historicamente relegadas à esfera do privado, foi somente a partir do século XX que a mulher passou, de fato, a exercer seu direito à cidade e sua dinâmicas. Até hoje, no entanto, esta apropriação é cerceada. Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva deste ano, oito em cada 10 mulheres brasileiras têm medo de andar sozinhas à noite.

Além da questão da violência, se colocam como entraves para o pertencimento, circulação e ocupação livre do espaço público pelas mulheres a ausência de políticas que visem contemplar necessidades urgentes do gênero feminino, além de suas identidades e olhares.

Neste entendimento, a leitura de livros escritos por mulheres que trazem a temática da cidade como protagonista ou pano de fundo torna-se um exercício fundamental para esta reflexão.

A pedido do Portal Aprendiz, o grupo de leitura Leia Mulheres realizou a curadoria de seis obras de autoria feminina que refletem sobre temas como desigualdade social, solidão, pertencimento, urbanismo, entre outros recortes, pois não há cidade educadora sem a presença de mulheres em pé de igualdade no espaço público. Confira:

escritora maria carolina de jesus assina autógrafo

A autora Maria Carolina de Jesus autografa um dos seus livros / Crédito: Divulgação

 Quarto de Despejo – Carolina Maria de Jesus

Carolina fala de um lado da cidade que a maioria das pessoas prefere ignorar: a fome e a pobreza. Carolina morava na favela do Canindé, em São Paulo, que deu lugar à Marginal Tietê. Sua narrativa vem em forma de diários, de forma repetitiva, detalhes do dia a dia, a busca por dinheiro catando papel, para comprar um mínimo de comida para seus filhos. A narrativa é dolorida, mas mesmo assim poética.

olivialaing_A Cidade Solitária – Olivia Laing

Olivia saiu de seu país e foi para Nova Iorque viver com aquele que achava ser seu amor. O romance acabou e ela se viu completamente sozinha, ainda que rodeada por pessoas. Nos dias perdidos vendo vídeos no YouTube, ela encontra espaço na solidão de pessoas famosas, como Andy Warhol e Klaus Nomi, e compara sua solidão com a deles. Belíssimo livro sobre o famoso clichê de se sentir sozinho acompanhado por desconhecidos, válido para qualquer cidade no mundo.

escritora giovana madalosso com um fundo azul

A escritora Giovana Madalosso / Crédito: Divulgação da artista

A Teta Racional – Giovana Madalosso

O livro de estreia da autora traz 10 contos que abordam temas como a maternidade e o lugar da mulher na sociedade. Mas como pano de fundo está a cidade grande e a solidão apesar da multidão que nos cerca. O livro seguinte de Madalosso, Tudo pode ser roubado, se passa nas ruas de São Paulo e também fala sobre essa solidão

maria de lourdes teixeira entre alguns artistas

Único registro fotográfico da escritora Maria de Lourdes Teixeira

Rua Augusta – Maria de Lourdes Teixeira

O romance Rua Augusta reflete sobre questões da existência através do olhar de pessoas comuns da cidade de São Paulo e pontua questões sobre os imigrantes que povoaram a cidade, além de ter uma narrativa fotográfica para conhecedores ou não da cidade.

foto de perfil da escritora pagu

Patrícia Galvão, mas conhecida como Pagu / Crédito: Domínio Público

Parque Industrial  – Pagu

De acordo com o tradutor do livro para o inglês, Kenneth David Jackson, Parque Industrial é “um importante documento social e literário, com uma perspectiva feminina e única do mundo modernista de São Paulo”. E essa São Paulo modernista é um ponto importante da narrativa pelas mudanças que essas questões trouxeram para cidade e seus habitantes.

Beatriz Bracher / Crédito: Divulgação da escritora

Beatriz Bracher / Crédito: Divulgação da escritora

Antonio – Beatriz Bracher

Uma saga familiar que tem como um dos principais cenários o centro de São Paulo. Ainda que não seja o foco, é possível observar as mudanças na cidade com a passagem do tempo.