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Plataforma digital apresenta desafios da educação para uma cidade sustentável

Projeto faz mapeamento das práticas educativas no território e cria espaço para reflexão sobre tipos de aprendizagem.

Produzir, aprofundar e disseminar conhecimento, aumentando a discussão sobre uma educação que contemple as diferentes dimensões da vida sustentável: ambiental, social, cultural, econômica, ética e estética. Além disso, estimular a formulação de diretrizes educacionais, a partir dos princípios das sociedades sustentáveis.

Este é o objetivo do Educar na cidade, portal criado como parte do projeto “Educação para São Paulo, uma Cidade Sustentável”. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), o Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), a Rede Nossa São Paulo, a Fundação Tide Setubal  e o Instituto de Fomento à Tecnologia do Terceiro Setor (IT3S).

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“Queremos deixar de pensar somente nos inúmeros problemas da educação e olhar para frente, refletindo qual é o desafio para o século 21”, afirma a presidente dos conselhos do Cenpec e Fundação Tide Setubal, além de integrante do IDS, Maria Alice Setubal. “Entendemos a educação como parte fundamental de um processo de mudança de paradigma”, complementa a secretária-executiva do IDS, Alexandra Reschke.

O projeto pretende contribuir para que a educação pública ocupe de fato a pauta cotidiana da população, além de estimular a mobilização em torno do tema. Para isso, envolve profissionais, estudantes, famílias e lideranças comunitárias e propõe um olhar para os territórios que leve em conta seus potenciais. A ideia é compreender melhor os contextos e ampliar a concepção a respeito de qual é a educação necessária para o país.

Experiência em São Miguel Paulista (SP)

Essas estratégias foram aplicadas inicialmente no bairro de São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, porque a Fundação Tide Setubal já tinha realizado trabalhos na região. “Fizemos um mapeamento dos equipamentos e das práticas educativas, tanto dentro quanto fora das escolas, e que são promovidas por diversas organizações, desde ONGs à igrejas”, relata.

Paralelamente a esse georreferenciamento, foram realizadas entrevistas com os representantes locais para entender melhor cada iniciativa. Essa coleta de informações será utilizada para subsidiar a comunicação comunitária que será feita para articular famílias, adolescentes e jovens alunos de escola pública. Segundo ela, espera-se que o trabalho inspire outras práticas semelhantes pelo Brasil.

Desafios para a educação do século 21

“Além disso, para produzir conhecimento e avançar na discussão do que seria essa educação em um sentido mais amplo, promovemos seis rodas de conversas temáticas, com quatro especialistas cada”, relata. Dentre os participantes estão a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva; o professor da USP e criador da Cidade do Conhecimento, Gilson Schwartz; além do ex-secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, Alfredo Manevy.

Os temas dos debates foram escolhidos com base nos eixos de educação para sustentabilidade destacados pela Rede Nossa São Paulo: meio-ambiente, investimento social privado, educação e cultura, ciências e novas tecnologias, diversidade cultural e novas formas de participação da sociedade. As conversas foram gravadas e serão publicadas no site ao longo dos próximos meses.

Para que o trabalho seja realmente efetivo, as organizações desejam que o site seja visitado não só por profissionais ligados à educação, mas também agentes comunitários e a sociedade em geral. Alexandra Reschke acredita que os jovens têm um papel muito importante no processo de mudança. “Estamos vivendo um momento em que o protagonismo da juventude vem com uma força muito significativa, queremos também apoiar isso”, finaliza.