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Café Terapêutico reúne pais de estudantes com deficiência em escola de São Paulo

A cada edição do Café Terapêutico, evento realizado semanalmente no Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (Cieja), no Campo Limpo, zona sul de São Paulo, cerca de 60 pais e alunos comparecem para discutir questões relativas ao aprendizado. Os frequentadores são pais de estudantes com algum tipo de deficiência física ou intelectual, matriculados na escola.

Café Terapêutico do Cieja contribui para o diálogo da escola com a comunidade.

São oportunidades de conversar e trocar informações sobre serviços públicos, aprendizagem, direitos ou mesmo as dificuldades do dia a dia. “A ideia é trabalhar desde o processo de aprendizado do filho, até questões que surgem no cotidiano, ou ainda o que dá para fazer juntos, no diálogo entre famílias e a escola”, destaca Billy Silva, psicopedagogo e coordenador da atividade.

Um dos objetivos principais do projeto, segundo Silva, é contribuir para a autonomia e a formação cidadã, “em busca de uma sociedade realmente inclusiva”. Cada encontro traz um tópico, apresentado com recursos multimídia, ou com a presença de algum palestrante convidado, especialista em leis ou em saúde, por exemplo. As reuniões duram por volta de duas horas e contam com uma confraternização ao final, com quitutes levados pelos próprios participantes.

Metalúrgico aposentado, o senhor José Marx de Araújo, 64 anos, tem um filho com deficiência intelectual matriculado no Cieja. Frequentador do Café Terapêutico há quatro anos, ele reconhece que “as atividades proporcionaram uma participação mais integrada e ativa no tema da inclusão, trazendo uma série de aprendizados novos para o próprio vínculo familiar”.

Nas fichas de avaliação da atividade em 2012 constam relatos sobre os resultados do Café Terapêutico. Um dos participantes lembra da importância de presenciar os pais “conversando uns com os outros” e da motivação para os próprios alunos, ao perceberem que “seus pais estão acompanhando de perto sua vida escolar”. Segundo ele, os assuntos tratados no dia do Café são retomados durante a semana, estreitando a convivência familiar.

Experiência

Desde a primeira vez, em março de 2008, o Café Terapêutico foi recebido com entusiasmo pelos pais, que até então levavam seus filhos para a escola e aguardavam pelo fim da aula lá mesmo, durante o turno escolar. “Enquanto dava aula para os meninos, eu observava que as mães ficavam ali sentadas, fazendo a unha, cortando o cabelo da amiga, batendo papo. Pensei que ali tinha uma oportunidade de construir uma conversa participativa”, lembra Silva.

Para ele, uma das maiores motivações para propor o Café Terapêutico foi a necessidade de reconhecer como os jovens, seus alunos, viviam em família. “O Café surgiu para que eu também pudesse aprender com os pais como eles lidam com o filho no dia a dia, afinando os meus procedimentos. Quando entrei no Cieja, em 2007, tinha formação, mas não tinha experiência. Propus o Café pensando no que mais poderia ser oferecido para melhorar a convivência do aluno com a escola”, ressalta o educador.

Prêmio

Parte de uma estratégia por uma convivência mais democrática e integrada entre a comunidade e a escola, em 2013, o Café Terapêutico foi escolhido para receber o Prêmio Construindo a Nação, que será entregue nesta segunda-feira (11/3), na Sala São Paulo, em solenidade promovida pelo Instituto da Cidadania Brasil.

Criado em 2000, o prêmio identifica e promove ações que escolas públicas e privadas de todo o Brasil, da educação básica, ensino técnico e Educação para Jovens e Adultos (EJA) realizam com a presença de seus alunos, no diagnóstico e em ações práticas de soluções para problemas da comunidade onde estão situadas.

A iniciativa visa valorizar o papel do educador na trajetória do estudante a partir de seu envolvimento com as demandas sociais do seu território. Entre os critérios de avaliação constam o engajamento da escola, a vivência proporcionada aos alunos e o desenvolvimento do seu pensamento crítico e participativo.

Atualizada em 11/3 às 15h37.