Criar na cidade

Jovens fazem curso de “pré-graduação”

Por Ocimara Balmant, da Agência Estado

“Em vez de ir para a universidade você vai passar o ano dançando? Está maluco?” Foi esse tipo de provocação que Dan Mohamed Salman, de 19 anos, ouviu dos amigos quando decidiu, no fim de 2011, não prestar vestibular. Ele abdicou dos planos de estudar Engenharia por um curso de “pré-graduação”.

Começou 2012 trocando as aulas de física, matemática e química por temas bem mais inusitados, como “Fisionomia da Paisagem” e “Cosmogonia”, em um curso oferecido por um grupo de professores da linha alternativa Waldorf exatamente para proporcionar um “respiro” entre o ensino médio e a universidade. Um espairecer que não custa barato. O preço da anuidade é de R$ 18.500 e não faltam interessados.

“O jovem precisa de um hiato entre a escola e a vida acadêmica, e esse tempo precisa ser preenchido de modo significativo, de forma que ele se conheça, se fortaleça”, diz Marília Barreto, fundadora e diretora do Projeto Terranova-Pré-graduação.

Tudo começou em 2007, conta Marília, quando ela lecionava em uma escola Waldorf e, ao fim do ano letivo, um grupo de alunos encomendou a ela um projeto que os ajudasse nesse momento de transição. “Eles me disseram que não tinham pressa de entrar na universidade, que os pais não os pressionavam a passar logo no vestibular.”

Nascia dessa demanda o projeto que é fincado na euritmia, uma dança que pesquisa a relação da linguagem com o corpo e é matéria curricular na pedagogia Waldorf por ter um efeito centralizador. Tanto que na grade horária do curso, que funciona em período integral, metade do tempo é direcionado à euritmia, com direito a turnê de um mês de espetáculo pela Europa. As informações são do jornal