Aprender na cidade

Cinco experiências que transformaram as salas de aula nos Estados Unidos

Realizado em São Paulo nesta quinta-feira (5/4), o evento Transformar 2013 reuniu experiências que vêm sendo testadas em escolas de educação básica nos Estados Unidos. Com foco na adaptação do ensino, modelo pelo qual a massificação da educação dá lugar a uma maior atenção às individualidades do estudante e ao seu projeto de vida, foram apresentados cinco projetos: Knewton, New Classrooms, High Tech High, Summit Public School, Institute of Play.

José Ferreira, criador da Knewton.

Kwewton

José Ferreira, fundador da plataforma Knewton, apostou na personalização das aulas online, observando o modo preferido de aprendizagem de cada aluno. A ferramenta funciona como um banco de dados para o professor, com informações diárias sobre o aluno, como quais os horários de maior acesso e qual tipo de conteúdo atrai mais a sua atenção (um vídeo, um game, um texto etc).

Com a expansão do programa, as estatísticas poderão ser levantadas de acordo com o uso em vários lugares do planeta, gerando comparações por diferentes critérios, dando mais subsídios aos professores para decidirem quais adaptações serão necessárias em suas aulas. Além disso, o educador também pode personalizar o roteiro de estudo online do aluno, de acordo com os melhores resultados.

“Uma das aplicações possíveis é fornecer ao professor feedbacks sobre a proficiência de uma turma nova ou o ritmo de aprendizagem mais adequado”, explica Ferreira.

Joel Rose, fundador do New Classrooms.

New Classrooms

A New Classrooms é uma consultoria que recorre ao cruzamento de dados sobre os alunos para propor modalidades de ensino que se ajustam ao estudante. As informações fornecem subsídio, inclusive, para que mudanças no espaço físico da sala de aula sejam feitas.

“Tem alunos que aprendem melhor um conteúdo com o professor em sala de aula, outros dão mais resultado estudando aquela parte em casa, ou ainda em grupos colaborativos”, exemplifica Joel Rose, especialista em educação e fundador do programa. A metodologia foi aplicada em oito escolas públicas de Nova York e Chicago.

Com dados coletados em entrevistas com pais, alunos e professores, são identificados os principais interesses dos estudantes, gerando planos individualizados de estudos. A proposta de aprendizagem recebeu o nome de Teach to One (Ensine para Um, em tradução livre).

De acordo com Rose, os professores são acompanhados de perto durante o primeiro ano de implementação da ferramenta. “Trazer mudanças [para a escola] são importantes, mas sabemos que o professor também precisa de apoio”, reconhece.

Melissa Agudelo, reitora do High Tech High.

High Tech High

Apostando na importância do vínculo entre o professor e o aluno, a High Tech High, rede formada por 11 escolas pelo país, com base em San Diego, na Califórnia, propõe aos alunos que, orientados de perto pelos educadores, desenvolvam projetos de pesquisa a partir de seus interesses, apresentados à comunidade no final do semestre. Com salas de aula de no máximo 26 alunos, o professor assume o papel de “designer do aprendizado”.

“No mundo real, o que me pedem é para resolver problemas com informações integradas. Nossa proposta vai nessa direção: por uma escola em vivo contato com o mundo”, defende Melissa Agudelo, educadora e reitora de admissões na High Tech High Media Arts – o local fornece também pós-graduação para professores. “Não queremos uma escola longe da realidade, com um professor auto-suficiente, em que valem mais os acertos em testes do que as dúvidas”, argumenta.

Para evitar a estagnação, professores passam periodicamente por reciclagens, na qual antigos e novos educadores travam debates e apresentam quais são seus próprios projetos de educação em curso na escola.

Dianne Tavenner, da Summit Public School.

Summit Public School

Na mesma linha, Dianne Tavenner, cofundadora da Summit Public School, aposta na valorização dos educandos e de seus projetos pessoais. Os alunos, estudantes de baixa renda, têm como foco o ingresso na universidade. Para alcançar esse sonho, eles estabelecem metas e planos, montando um percurso escolar com a devida orientação pedagógica. O objetivo é que os alunos tenham mais “autonomia e controle sobre o aprendizado”.

Uma das estratégias de ensino, explica Daianne, são as expedições comunitárias, de duas a quatro semanas, na qual oferecem aulas de música, arte, ou podem ainda escrever e montar uma peça de teatro, por exemplo. “O contato entre a escola e o mundo deve acontecer de forma fluída, como a luz circulando de um lado a outro em um túnel.” Neste período, os professores passam por cursos de atualização.

Brian Waniewski, consultor do Institute of Play.

Institute of Play

A contribuição dos games para o ensino, engajando os alunos nas atividades educativas a partir de jogos de tabuleiro aliados a recursos multimídia é a proposta trazida pelo consultor Brian Waniewski, do Institute of Play, um estúdio de design sem fins lucrativos. A organização é responsável pela escola pública Quest to Learn [Buscar para Aprender], que integra a rede pública de ensino de Nova York.

A criação dos jogos é feita por três profissionais diferentes. “O professor sabe o que funciona na sala de aula. O designer de games é responsável por criar experiências irresistíveis, que envolvam o aluno. Já o designer de currículos, tem um pensamento mais estratégico para a aprendizagem no contexto da escola, fazendo a ponte entre os outros dois”, explica o consultor.

Os jogos propostos em sala trazem situações-problemas a serem investigadas pelos alunos. Dividida em ciclos, a aprendizagem valoriza a dinâmica do game, com metas, regras, elaboração do pensamento estratégico, apostando em desafios resolvidos colaborativamente. “Os jogos são flexíveis. Para alcançar um outro nível dentro do game, existem muitas possibilidades de percursos”, finaliza Waniewski.

Transformar 2013

O evento Transformar 2013 recebeu, em São Paulo, cerca de 700 convidados para discutir inovações no campo da educação. As experiências de ensino adaptativo foram apresentadas ao longo da mesa “Reinvenção da escola e da sala de aula”, ocorrida na parte da manhã. Na segunda etapa do encontro, gestores públicos, educadores e empreendedores dividiram-se em três debates: “Políticas Públicas de inovação em educação”, “Desafios e possibilidades de inovação na sala de aula” e ” Empreendimentos que inovam na educação”.

No encerramento das atividades, o presidente do edX, Anant Agarwal, apresentou a plataforma de educação a distância que há um ano é aplicada pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e analisou as transformações que as universidades devem sofrer nos próximos vinte anos.