Aprender na cidade

Jovens caem na estrada em busca da educação que se reinventa

Durante uma conversa na Escola Estadual Campos Salles, em Heliópolis, Braz Nogueira, diretor dessa inspiradora instituiç?o de ensino pública, ressaltou a importâcia da conexão entre diferentes iniciativas. “Sozinho é muito difícil que algo inovador sobreviva”, projetou Nogueira.

Por sorte, sincronicamente, diversas pessoas e entidades começaram a tecer essa rede, como o Centro de Referências em Educação Integral, a Conferência Nacional de Alternativas pela Nova Educação (Conane), o livro a Volta ao Mundo em 13 Escolas e diversos outros coletivos espalhados pelo país. No bojo desse movimento, alguns jovens resolveram, por conta própria e com ajuda de muitos, cair na estrada para contar essas crônicas da educação e, ao mesmo tempo, construírem as suas.

Leia mais
Site colaborativo mapeia experiências de educação alternativa no mundo

É o caso do projeto Caindo no Brasil, do jornalista Caio Dib, 22, recém-formado pela Cásper Líbero, faculdade de comunicação de São Paulo. Dib saiu em busca de práticas educacionais inspiradoras em mais de 60 cidades do país, atrás de novas formas para superar velhos desafios, exemplos que ensinam a pensar educação, histórias de vidas e pessoas. Foram 5 meses viajando em 2013, de Belém do Pará até São Paulo, com 17 mil quilômetros rodados e 30 experiências listadas.

“Eu não esperava encontrar tantas experiências legais. Agora quero aprofundar o mapeamento, fazer um trabalho sério, construir uma plataforma e conseguir um financiamento sustentável”, conta Dib, que também está escrevendo um livro sobre a viagem. “Eu percebi que não conseguiria escrever sobre educação e sobre o país de dentro de um escritório”.

Dib também ressalta o caráter de rede do seu projeto. “Eu tentava levar um pouco de cada escola e passar adiante. Pegava uma planta de uma escola que transformou sua realidade com uma horta e dava para a próxima que eu encontrava, contando essa história”, relata o jornalista, que também obteve apoio, casa e comida das pessoas que encontrou pelo caminho.

Um tour de educação

“O Brasil tem uma estrutura que não é dura como a do velho continente”, afirma Philipe Greier sobre os motivos que levaram um austríaco de 30 anos para o Brasil junto a quatro colegas para realizar o projeto Edu On Tour. “Outro motivo é que depois das manifestações de junho, sentimos que algo mudou. Se não concretamente, internamente. As pessoas estão querendo conversar, falar o que querem, tentando criar essa nova sociedade”, analisa.

O Edu On Tour é um projeto itinerante que planeja passar 4 meses viajando pelo país para descobrir e aprender com as iniciativas e educadores, promover e mostrar o que é a nova educação e, finalmente, unir e conectar as diferentes experiências. Como resultado final, eles esperam construir uma plataforma em rede para os interessados no debate. “Queremos levar o debate da educação para toda a sociedade, não queremos que seja algo restrito aos educadores”, pontua Greier.



O projeto agora está em um site de financiamento colaborativo para conseguir financiar seus próximos passos em nossa terra e concluir o documentário. “Há muita gente querendo mudar, mas elas estão desconectadas. Não basta um grande educador querer fundar escolas. As pessoas precisam começar a mudar suas estruturas, para desafiar o velho mundo, injusto, de banqueiros, de desigualdades, de racismo etc.”, conclui.