Criar na cidade

Mapeamento: olhar para a cidade como uma oportunidade de aprendizado

por Julia Dietrich e Jéssica Moreira

Diariamente passamos pelas ruas, seja a pé, de bicicleta, ônibus ou carro e nem sempre nos atinamos no que está à nossa frente. A cada calçada, esquina ou ponto dos nossos bairros moram e trabalham pessoas com as mais diferentes qualidades, saberes e vivências; por todos os lados, existem comércios, praças, centros culturais, ateliês, feiras-livres que reúnem uma imensidade de histórias e possibilidades de aprendizagem. Afinal, a cidade compõe nossa vida cotidiana: aprendemos e ensinamos a todo momento, com diferentes pessoas, em diferentes locais.

Quando olhamos para nossa cidade a fim de registrar o que nela existe, exercitamos nossa percepção sobre o espaço, sobre as pessoas que nele habitam e sobre aquilo que há de bom ou de ruim em nossa sociedade. E é justamente esse o objetivo de um mapeamento com fins educativos. Mais do que encontrar pontos geográficos, o mapeamento fala da forma como nós nos relacionamos com as nossas comunidades.

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Como mapear atividades e intervenções na cidade?

Quando intencionalmente realizamos um mapeamento sobre todo e qualquer tema, com os mais diferentes objetivos, aprendemos a pesquisar,  refletir e sistematizar. Por exemplo, se decidimos encontrar todos os pontos culturais de uma comunidade, temos que necessariamente pensar sobre a definição do que é cultura, do que entendemos sobre “pontos culturais”, sobre a relação do tema com a nossa cidade e a importância da nossa ação – do mapear em si – para aquele local.

O artigo “Mapeamento: olhar para a cidade é oportunidade de aprender” foi escrito pelas jornalistas Julia Dietrich e Jéssica Moreira, repórteres do Centro de Referências em Educação Integral.

Portanto, educadores podem e devem fazer uso de atividades de mapeamento com seus estudantes. Em toda e qualquer disciplina é possível propor mapeamentos, associando a atividade à pesquisa e reflexão sobre o tema da sala de aula de forma prática na vida cotidiana. Um professor de física pode, por exemplo, propor um mapeamento sobre mobilidade na cidade, convidando os estudantes a identificarem quais são as formas de locomoção e os possíveis entraves para a qualidade da mesma nos grandes centros urbanos. Uma vez que realizam o mapeamento, os jovens podem ser convidados – a partir da investigação prática – a discutir com o professor conceitos de espaço, tempo, velocidade. Dessa forma, as fórmulas, necessárias ao conteúdo da disciplina, ganham um caráter vivo, com significado real e concreto.

Em biologia, por exemplo, os estudantes podem mapear os espaços de fauna e flora local, registrando quais espécies aparecem na comunidade, onde vivem, como se relacionam com outras espécies e compõem o ecossistema da região, etc.

Ao olharem para a vida “real”, apresentada em suas comunidades, os estudantes podem relacionar o conhecimento aprendido na pesquisa de campo com aquilo que se discute em sala de aula. Para deixar as atividades ainda mais ricas, os educadores podem estimular que os estudantes criem os mapas e os ícones que identificarão aquilo que foi mapeado. Podem ser organizados subgrupos, estimulando que cada um deles apresente sua visão sobre o espaço, discutindo que um mesmo local pode ser observado de diferentes maneiras.

Fora da escola

Da mesma forma, grupos, comunidades, organizações sociais podem utilizar mapeamentos para aprender juntas sobre seus temas. No lugar do conteúdo disciplinar, os mapeamentos podem vir para esclarecer questões, apoiar a discussão sobre determinado tema e até envolver outras pessoas a descobrirem mais sobre suas comunidades.