Aprender na cidade

SP: CEUs adotam direitos humanos para impulsionar cidade educadora

Foram lançados nesta quarta-feira (9/4), em parceria da Prefeitura de São Paulo com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), os quatro Centros de Educação em Direitos Humanos (CEDHs) da capital paulista. As iniciativas terão lugar nos Centros Educional Unificado (CEUs) Pera Marmelo (zona oeste), Casablanca (zona sul), Jardim Paulistano (zona norte) e São Rafael (zona leste).

O projeto desenvolve uma das 100 metas do prefeito Fernando Haddad (PT) para a cidade de São Paulo, que fala sobre a necessidade de aliar direitos humanos e educação. Para tanto, cada um dos CEUs contemplados servirá tanto como projeto piloto quando pólo irradiador de discussões sobre educação e cidade.

A ideia é que o programa, cuja gestão será compartilhada, trabalhe com a formação de profissionais, identifique e mapeie lugares importantes para os direitos humanos no território, agregando lideranças e comunidade. “Queremos promover uma cidade educadora que convirja para a escola, com articuladores que sejam das diferentes comunidades. O plano é que cada localidade tenha autonomia para pensar e gerir seu currículo, que avance na construção de uma rede de cidadania nos territórios, com atividades e desenvolvimento de materiais didáticos que tenham a cara da nossa rede pública de ensino”, afirmou Eduardo Bittar, da Coordenação de Educação e Direitos Humanos da Prefeitura.

Na solenidade de lançamento, além de estudantes, professores e diretorias regionais de ensino, estiveram presentes o secretário de Educação de São Paulo, César Callegari; o secretário municipal de Direitos Humanos, Rogério Sotilli; e a recém-empossada ministra de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvati.

Callegari afirmou estar esperançoso com a entrada da pauta de direitos humanos nos currículos e com a possibilidade de que a novidade se espalhe para a rede de CEUs. Sotilli ressaltou  que os CEDHs se inserem numa visão da educação que é maior “do que reprodução de conceitos”.

“A escola deve ecoar um compromisso com a cidadania, ser um espaço de formação e reflexão para enfrentar a desigualdade, a intolerância, a cultura da violência e da injustiça”, completou. Tanto Callegari como Salvati louvaram a escolha do CEU como ponto de partida por seu caráter “multidisciplinar”. As regiões que receberão os CEDHs também são áreas em situação de vulnerabilidade social.

Os temas de igualdade racial-social, diversidade sexual, memória e combate à violência serão trabalhados de maneira transversal ao currículo escolar, buscando intersecções com os diferentes conteúdos como ciências, matemática, história e geografia. Além disso, estudantes do terceiro ano do Ensino Médio farão um projeto de conclusão sobre direitos humanos, no suporte que escolherem.

Para Salvati, no entanto, ainda falta avançar. São Paulo é um dos únicos estados da federação que não possuem Centros de Referência em Direitos Humanos, que atendem vítimas de violações. “Precisamos da educação para que fatos lamentáveis não se repitam. O mesmo vírus responsável por fazer que um homem bata em uma muher é aquele que faz discriminar pela cor de pele ou orientação sexual, que tortura, que se vê no direito de oprimir uma parcela da população pelo poder. Educar é combater a raiz desse mal”, afirmou.