Aprender na cidade

Programa no Canadá aposta na comunidade para formar jovens de baixa renda

Do Centro de Referências em Educação Integral

O problema da evasão escolar se faz presente no Canadá, assim como no Brasil e em grande parte do mundo. No país, é comum que jovens de comunidades vulneráveis acabem deixando a escola antes de terminar o ensino médio, processo que, além de afetá-los individualmente, acaba impactando as comunidades pela pouca qualificação do setores produtivos, acesso e distribuição de renda e uso dos recursos públicos.

Diante desse cenário, nasceu em 2001 o Programa Pathways to Education (Caminhos para a Educação). Com o objetivo de apoiar os jovens até sua formação e prepará-los para a transição ao ensino superior, a iniciativa oferece apoio acadêmico, financeiro, social e de direitos para o desenvolvimento integral da juventude em 16 comunidades canadenses.

O início da história

O Programa Pathways to Education nasceu da observação do trabalho realizado pelo Regent Park Community Health Centre (Centro Comunitário de Saúde do Regent Park): uma organização sem fins lucrativos que se propõe a melhorar a qualidade de vida de comunidades residentes na região. A instituição atuava com projetos que visavam criar condições de educação, saúde, moradia, trabalho a pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Esse processo evidenciou uma característica que chamou a atenção da então diretora executiva do Regent Park Community Health Centre, Carolyn Acker, e do primeiro diretor do Programa Pathways to Education, Norman Rowen, dando início a uma parceria entre eles. O dado era que as crianças das comunidades atendidas acabavam por se tornar médicas, enfermeiras, assistentes sociais e agentes comunitárias, dando continuidade ao trabalho desenvolvido pelo centro nas comunidades.

Com isso, ficava mais do que evidente que, para garantir o pleno desenvolvimento das crianças, era necessário olhar para além do espectro escolar, já que muitos ofensores do processo educativo se localizavam fora desse ambiente, entre as próprias comunidades. Essa se tornou então a principal força motriz do Programa Pathways to Education, que organizou primeiramente pesquisas sobre o território de Regent Park.

Pesquisa-ação

Os primeiros estudos sobre a população revelaram um índice de evasão escolar de 56%; a situação ficava ainda pior junto aos filhos de pais solteiros ou de migrantes, que sustentavam índice de 70%. Por trás desses números, uma situação permanente de violência entre os jovens, geralmente envolvidos com gangues, uso de drogas e manipulação de armas de fogo.

Tomando como base entrevistas com os próprios jovens e seus familiares, e outras instituições da comunidade, como as escolas, o Programa Pathways to Education foi moldado para que a juventude possa trilhar um caminho próprio de aprendizagem.

Nesse contexto, além de considerar os alunos, para os quais oferecem apoio acadêmico, financeiro, social e de direitos, olha também para a comunidade, tornando-a igualmente responsável por este percurso educativo.

Comunidade como tutora

O programa oferece aulas e atividades extra-curriculares após o horário regular da escola. As atividades de tutoria são oferecidas por voluntários que são recrutados e treinados pela equipe pedagógica do programa.

A ideia é que cada aluno possa tirar proveito da relação com os pais e voluntários, que podem ser conselheiros, advogados, assistentes sociais ou mediadores, e que têm como função orientá-los durante o processo de ensino e aprendizagem e deixá-los cientes das responsabilidades ao longo do processo.

A comunidade é inserida por meio da assinatura de um contrato de corresponsabilização pela frequência dos jovens nas aulas. Além disso, os familiares recebem  bilhetes ou vouchers de almoço, além de uma bolsa de 4 mil dólares para custear os gastos com o ensino superior de seus filhos e participam de tutorias que têm a função de aproximá-los dos alunos, das escolas e do próprio programa.

Quebrando o ciclo da pobreza

O Programa Pathways to Education vem se consolidando como um movimento coletivo em prol da educação. São benefícios da iniciativa: a redução da evasão escolar e a redução de custos governamentais para a manutenção de crianças e adolescentes na vida escolar.

A partir de parceria com governos, agências de bem-estar social e centenas de voluntários, que partilham o seu talento e sabedoria, o Pathways está ajudando a quebrar o ciclo de pobreza, gerando estratégias para uma mudança social a longo prazo.

Atualmente, o programa envolve mais de 4 mil jovens de comunidades de baixa renda. A expectativa é que, até 2016, esse número chegue a 10 mil entre ex-alunos e novos integrantes.