Pensar a cidade

O livro didático que aborda questões históricas de um Brasil quilombola

Não há um adepto do movimento hip hop que não tenha escutado falar do Mc Gaspar, músico do grupo Z`África Brasil, que há mais de 15 anos vem fortalecendo a cultura de rua, a cultura dos povos tradicionais e utilizando o Rap com instrumento de luta.

O Mc da zona sul de São Paulo, acaba de lançar mais um instrumento para fortalecer a luta contra o preconceito racial: o livro O Brasil é um Quilombo. Na obra, que mostra o Brasil com os olhos dos povos que originalmente se misturaram e deram rosto ao brasileiro, Gaspar enaltece tais origens num estilo só seu, cheio de vida e de referências históricas.

Joseh Silva é jornalista e blogueiro. Desenvolve o Observatório Popular de Direitos, uma plataforma virtual que tem como proposta monitorar e cobrar políticas públicas voltadas para a periferia da cidade de São Paulo. Pode ser encontrado semanalmente na revista Carta Capital.

Esta obra dialoga diretamente com a lei federal 10.639, sancionada em 9 de janeiro de 2003, que tem como objetivo garantir o estudo da “África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil”. Tudo isso deve ser lecionado no âmbito escolar, em especial em algumas disciplinas, como: Educação Artistica, literatura e histórias brasileiras.

Apesar de 11 anos de implementação da lei, pouco se fala sobre o tema nas escolas. Algo que inviabiliza o aprofundamento no assunto é a falta de material didático, uma vez que os livros de história, em sua maioria, só contam os fatos a partir do olhar do colonizador. Por exemplo: em pleno século XIX, continuar afirmando que o Brasil foi descoberto e não invadido (termo correto) é não lidar com todo um contexto histórico, cultural e desrespeitar os povos indígenas.

quilombo

O livro O Brasil é um Quilombo oferece aos professores e alunos textos, reflexões, rimas e poesias com ilustrações feitas por Alexandre de Maio, Alexandre Romão e Rodrigo Bueno.

As imagens representam bem um país que não é retratado ou reconhecido pelo seu próprio povo: favela, periferia; personagens como Lampião e Zumbi dos Palmares; homens e mulheres importantes para a história do Brasil e do mundo.

Buscando respeitar a tradição das palavras, Gaspar preservou os dialetos e presenteou o leitor com um vocabulário com conceitos e significados específicos dessas culturas.