Aprender na cidade

Conectados: pesquisa revela como internet impactou processos educativos de jovens brasileiros

Yuri Kiddo, do Promenino com Cidade Escola Aprendiz

A tecnologia e o uso da Internet podem contribuir para a melhoria da relação entre alunos e professores, inclusive além da sala de aula, com a participação ativa em redes sociais, blogs e trocas de informações por e-mail. É o que revela a pesquisa Juventude Conectada lançada na quarta-feira (27) no RIA Festival. O evento reuniu painéis e oficinas de tecnologia, com a proposta de reflexão, ações e interatividade em relação às novas formas de conectividade.

Realizado pela Fundação Telefônica Vivo, em parceria com a Escola do Futuro da USPIBOPE Inteligência e Instituto Paulo Montenegro, o estudo revelou que 54% dos entrevistados acessam a Internet para se preparar para provas e testes como o ENEM, vestibulares ou concursos públicos. “O uso da Internet para o aprendizado é uma realidade. A pesquisa mostra que os jovens têm mais facilidade para realizar trabalhos escolares e atividades propostas em sala de aula”, afirma a diretora presidente da Fundação Telefônica Vivo, Gabriella Bighetti. “Um dado nos surpreendeu: apesar de todo o uso da conectividade para ajudar a estudar, ela não substitui a presença em sala de aula.”

Metade dos entrevistados, porém, afirmam ter receio de expressar suas opiniões na web. De acordo com Gabriella, o stress de uma discussão virtual ou uma exposição indesejada afeta as pessoas fora da rede. “Ainda é preciso nos reeducar nas redes. Os adolescentes e jovens percebem a Internet como um meio importante de expressão e ativismo, mas a intolerância em relação à opinião diversa faz com que o jovem deixe de opinar”, analisa.

O estudo entrevistou 1.440 jovens de 16 a 24 anos, de todas as regiões do Brasil, e buscou entender o comportamento da juventude na era digital, por meio de quatro eixos: comportamento, empreendedorismo, ativismo e educação. Inclusive, criaram-se momentos de debate entre os participantes e entrevistas com especialistas para ajudar a analisar as inovações impulsionadas pelo uso da tecnologia.

Do analógico ao digital

Uma dessas mudanças é o papel do professor: 38% dos jovens admite enxergar o educador como um “orientador de estudo”, criando uma relação mais horizontal, que ultrapassa a sala de aula e o horário escolar. Para a coordenadora científica do Conselho Deliberativo da Escola do Futuro (USP), Brasilina Passarelli, as novas tecnologias estão revolucionando a maneira de se comunicar, produzir e receber informação. “O aluno é mais interativo em diversas interfaces e de forma simultânea. Há a necessidade de reinventar a educação como um todo, desde o papel do professor ao papel do aluno. Essa é uma reivindicação do aprender.”

Se antes havia a necessidade em fazer curso para aprender a mexer em computadores de mesa e notebooks, hoje as coisas são diferentes: 71% dos jovens acessam a Internet pelo celular, e 42% o apontam como principal meio de acesso. Em segundo lugar, o computador de mesa (33%), seguidos de notebooks (22%) e tablets (2%). “Essa revolução do celular é o ‘em todo lugar e a qualquer hora’. Diferentemente de outros países, o papel do celular também envolve o processo de democratização da comunicação e informação”, comenta a diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, Ana Lúcia Lima.

Nas regiões Norte e Nordeste, o número de jovens que usam o celular como principal meio de acesso à Internet sobe para 90% e 76%, respectivamente. “O acesso das pessoas da Região Sudeste, por exemplo, é mais antigo – são pessoas que têm computadores de mesa e notebooks”, analisa Ana Lúcia. “Enquanto nas regiões Norte e Nordeste, o uso da Internet e novas conectividades é emergente, por conta de razões econômicas e sociais, que permitem também o maior acesso”.