Criar na cidade

Guia mapeia ofertas culturais das favelas do Rio de Janeiro

“Uma ferramenta de disputa por visibilidade cultural, política, ideológica social. De construção do imaginário da cidade”. É assim que Gilberto Vieira, gestor responsável pelo projeto do Guia Cultural de Favelas, lançado na última sexta-feira (29/8), pelo Observatório de Favelas, define a iniciativa. O mapa colaborativo, disponibilizado online, lista práticas culturais em favelas cariocas.

“O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) diz que não tem cinema no [Morro do] Alemão, mas achamos um monte de cineclube. Tem cultura para caramba. A ideia é facilitar tanto para colocar em evidência quanto para aumentar o alcance”, emenda Vieira.

O Guia é derivado do projeto Solos Culturais, que entre 2012 e 2013, formou 120 jovens de seis comunidades do Rio de Janeiro em produção cultural e pesquisa de cultura. Ao longo da formação, os jovens listaram mais de 400 práticas nas favelas, “desde centros culturais até práticas de sociabilidade como churrasquinhos e fazedores de pipa”.

Com um montante enorme de dados nas mãos, resolveram dar sequências aos trabalhos. Quarenta jovens receberam, então, um curso de documentário e áudio para web. Trabalharam em cima de 50 dos 400 pontos elencados e fizeram pequenas reportagens nas localidades para dar o pontapé inicial no site.

“Agora a ideia é fazer com que as pessoas colaborem. A Rocinha no Google é uma rocha e o que isso quer dizer para alguém que vive lá? Ele sabe que não é uma pedra. Ele sabe que moram mais de cem mil pessoas. Ele precisa se ver representado. Ainda mais o produtor cultural, que faz sua atividade lá, ver isso num guia contribui para a construção local”, afirma Vieira.

Para isso, o Guia Cultural de Favelas está aberto para artistas, coletivos ou iniciativas, que podem cadastrar suas práticas no site. Confira o site da iniciativa, que também faz parte do Programa Favela Criativa, patrocinado pela Secretaria de Estado de Cultura, da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, da Light, do Programa de Eficiência Energética da ANEEL e do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID.