Aprender na cidade

Plataforma mapeia obras e sugere passeios no centro de São Paulo

O centro de São Paulo pode ser parte de uma cidade educadora? Se comparado ao restante da metrópole, o centro de São Paulo é diminuto – possui uma área de apenas 27 km², enquanto a Grande São Paulo tem quase 8 mil km². Mesmo assim, quem passa pela região há de notar a diversidade arquitetônica que existe por ali: desde o Pátio do Colégio, primeira construção da cidade, até o moderno pórtico da Praça do Patriarca – sem contar a imponência do Teatro Municipal, a grandeza do Edifício Itália e a elegância do Copan –, diferentes estilos, formas e tamanhos estão representados.

Andar pelo centro da capital paulista é uma experiência única. Por isso, ele pode ser considerado um espaço cultural ao ar livre e um local que confirma a existência e as potencialidades de uma cidade educadora.

Reunir as manifestações concretas da transformação urbana de São Paulo é um dos objetivos centrais da plataforma Passeios de Arquitetura. Realizada pelo departamento de São Paulo do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/SP), a iniciativa mapeia pontos de interesse para turistas, estudantes, arquitetos e quem mais se interessar pelas inúmeras obras arquitetônicas dispostas pelo centro da cidade.

Interação

O projeto começou a sair do papel quando foi selecionado para um edital de patrocínio do Conselho de Arquitura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP). Na primeira fase, já em vigor, foram apuradas as referências de arquitetura situadas a um raio de 600 metros da sede do IAB, localizada na esquina das ruas General Jardim e Bento Freitas.

Construções na Avenida São Luís.

Construções na Avenida São Luís.

Gabriel de Andrade Fernandes

De acordo com um dos coordenadores da plataforma, o arquiteto Rafael Schimidt, a ideia é aproximar as obras do centro paulistano da população que diariamente circula por ali. “Muita gente passa por ótimos projetos de grandes arquitetos, mas de certa maneira quem os conhece mesmo são poucas pessoas. Queremos divulgar trabalhos importantes que fazem parte da cidade”, afirma.

Segundo Schimidt, as informações sobre a arquitetura do centro de São Paulo estão dispersas em trabalhos acadêmicos. “Na plataforma, os textos são produzidos por arquitetos e professores e falam sobre como aquela obra se insere no território e como interage com ele.”

Centro vivo

Além do mapeamento, o projeto também sugere roteiros de passeio pela região central: República, Dom José Gaspar, Roosevelt, Rotary e Arouche são as microrregiões indicadas. “Você pode sair do IAB e fazer essa volta. A plataforma funciona no PC, mas foi pensada para ser utilizada em tablets e celulares justamente para que as pessoas a acessem da rua”, explica o arquiteto.

“O centro de São Paulo é vivo e efervescente. Queremos revalorizar a região e fazer as pessoas descobrirem coisas que desconhecem.” Como há muita arquitetura que não está catalogada, a plataforma é interativa e aceita sugestões dos próprios usuários (é preciso apenas indicar a autoria e a data do projeto e, de preferência, enviar uma foto da obra).

Agora, o Passeios de Arquitetura segue buscando parcerias para expandir a área de abrangência e abocanhar outras partes importantes do centro, como o trecho histórico e a região da Luz, além da tradução da plataforma para outras línguas.