Criar na cidade

Prêmio Cidadão São Paulo elege quem faz a diferença na cidade; conheça os vencedores

Na noite desta quinta-feira (22/1), no Cine Caixa Belas Artes, aconteceu a terceira edição do Prêmio Cidadão São Paulo, com a entrega de 14 prêmios para 12 paulistanos – ou habitantes da cidade – que fazem a diferença para a criação de uma cidade mais justa, solidária e sustentável.

Promovido pelo Catraca Livre, em parceria com a Caixa Econômica Federal, o prêmio teve como critério de escolha votação online e dois prêmios especiais concedidos por jurados. “Aqui premiamos pessoas pequenas que fazem grandes coisas e pessoas grandes que fazem pequenas coisas”, anunciou o jornalista Gilberto Dimenstein, fundador do Catraca Livre.

Apresentado por Marcelo Tas, o evento reuniu 250 pessoas na Sala Cândido Portinari do reaberto Cine Belas Artes, marco da luta pelo direito à cultura na cidade de São Paulo, e teve condução musical da Orquestra Bachiana Jovem, do maestro João Carlos Martins, que trabalha com adolescentes de comunidades vulneráveis. Na abertura, Guido, de 9 anos, morador de Parelheiros – e que viaja 40 quilômetros por dia para ter aulas de violino – fez uma apresentação com o maestro ao piano e emocionou a plateia. “Vendo isso, parece que São Paulo tem jeito”, disse Tas.

“Iniciativas como a orquestra são muito importantes. São crianças que ganham uma oportunidade quando poderiam não ter destino nenhum”, afirmou Dimenstein. Confira abaixo os vencedores do Prêmio:

Braz Nogueira, diretor da escola Campos Salles, em Heliópolis

Emocionado, Braz dedicou o prêmio recebido na categoria “Educação” à sua mulher, Arlete, falecida no ano passado, e à sua filha. Diretor da escola Campos Salles, o educador transformou a escola e o bairro em espaços educadores, derrubando muros reais e imaginários. “Esse prêmio é também das crianças, de Heliópolis, da Unas (associação de moradores do Bairro). O bonito de ser educador é que a gente descobriu que eles estão por toda parte”, discursou.

Nogueira também foi homenageado na categoria Grande Cidadão São Paulo do ano, escolhido por um júri especializado. Desta vez, foi ao palco acompanhado de Nicole, prefeita eleita da escola, de 12 anos. “Na minha escola a gente não precisa de adulto. Quer dizer, eles ajudam. Mas a gente pode. Criamos os conflitos, mas também resolvemos”, afirmou a jovem.

“Espero que isso mostre a grande lição de que as crianças são competentes, capazes e portadoras de conhecimento”, cravou o diretor, completando as palavras de sua aluna. “Minha maior alegria é que os princípios da nossa escola – a educação como centro, solidariedade e autonomia – tenham se tornado lemas de Heliópolis, que hoje se vê como um bairro educador”, finalizou.

Cecília Lotufo e Alice Lotufo, do movimento Boa Praça

Um dia, Alice Lotufo, filha de Cecília, decidiu que queria porque queria comemorar seu aniversário na praça. Com quatro anos, ela pediu para a mãe, que argumentou que a praça estava em más condições.

- Mas a gente conserta ela, mãe.

- Mas você abriria mão dos presentes?

- Sim.

As duas então pediram que os convidados ajudassem na restauração da praça. Cinco anos depois, as duas foram agraciadas com o prêmio nas categorias “Mobilização” e “Cidadãozinho”, que premia as crianças “que dão uma lição nos adultos”, segundo Dimenstein. A partir desse momento, Cecília dedicou-se a trabalhar na gestão e conserto de praças, garantindo o envolvimento da comunidade nesses processos. Transformou em lei a gestão participativa destes espaços e atua hoje na subprefeitura de Pinheiros. “Essa prêmio reforça a importância da colaboração na cidade”, afirmou Cecília, orgulhosa.

Renata Falzoni, jornalista e cicloativista

Vencedora do prêmio na categoria “Meio Ambiente”, a bike-repórter e ativista Renata Falzoni pedala há 38 anos pelas ruas de São Paulo. Falzoni se mostrou feliz pela valorização da bicicleta em São Paulo e dedicou o prêmio à “massa de ciclistas invisíveis da cidade”. Ela também convidou os motoristas, parados no trânsito, a contar quantos ciclistas veem pela cidade antes de reclamar das ciclovias.

“Esse vai para os inúmeros ciclistas, mas também para aquele motorista que ao nos encontrar na rua tira o pé do acelerador e dá um metro e meio para ultrapassar, tornando a cidade mais segura para o número cada vez maior de pessoas que optam pelo transporte ativo”, agradeceu Falzoni.

Stela Goldenstein, do Águas Claras do Rio Pinheiros

Enquanto São Paulo se afoga de sede na crise hídrica, a categoria “Intervenção Urbana” premiou alguém que trabalha intimamente com essa questão: Stela Goldstein. Diretora-executiva do movimento Águas Claras do Rio Pinheiros, que desde 2009, luta pela despoluição de um dos principais rios da cidade.

“Acho que é um reconhecimento da crise que vivemos e uma mostra simbólica de que precisamos estar juntos para enfrentá-la”, afirmou Stela.

Inclusão Social

O grafiteiro Thiago Mundano estampa as paredes e muros da capital há algum tempo. Mas foi pelo seu trabalho com catadores de recicláveis que Mundano foi reconhecido pelo Prêmio Cidadão Paulistano. O artista começou a trabalhar pintando as carroças de catadores com mensagens e desenhos, mas há três anos, resolveu financiar um projeto mais amplo.

A ideia foi oferecer eventos de um dia no qual a carroça recebe reformas estruturais, é pintada por artistas renomados e sofre modificações para aumentar a segurança. O “Pimp” ajuda a trazer visibilidade ao trabalho dos carroceiros, tão importante para a reciclagem e para a construção de uma cidade sustentável.

“Agora temos um ano de muita luta, porque a coisa tá preta. Vamos seguir nas ruas, batalhando pelas carroçovias nas ciclovias, pelo direito dos catadores”, arrematou ao receber o prêmio.

Premiação

Além dos citados acima, também receberam o Prêmio Cidadão São Paulo Kuniko Kohakura Yonaha, a Dona Maria, vencedora do melhor pastel de feira da cidade, na categoria “Empreendorismo”; Mel Lisboa, na categoria “Cultura”, por sua atuação na companhia de teatro “Pessoal do Faroeste”, na região da Luz, em São Paulo; Wellington Nogueira, fundador do Doutores da Alegria, na categoria “Infantil”; Leonardo Sakamoto, em “Comunicação”, por sua atuação na cobertura de conflitos internacionais e contra o trabalho escravo no Brasil; Dráuzio Varella, na categoria “Bem-Estar”, por sua carreira como cancerologista; e Maurício Vargas, em “Tecnologia”, pela criação do serviço Reclame Aqui.