Criar na cidade

Dia da Mulher: Coletivo convoca pessoas para participar de performance no espaço público

O que você faria se, em pleno final de tarde, nas calçadas da Avenida Paulista abarrotada de pedestres, avistasse uma mulher vestida com trajes de executiva chorando e se equilibrando em um só salto, segurando o outro quebrado na mão?

Pois esta situação serviu de inspiração inicial para Priscilla Toscano, uma das diretoras do Coletivo Pi, criar a intervenção Entre Saltos, que reflete sobre o gênero feminino e a cidade. “Ela subia e descia. O desequilíbrio dela me chamou a atenção. Nunca soube o que aconteceu ali, mas fiquei curiosa: por que ela insistiu em ficar com um sapato no pé?”, pergunta Priscilla.

A ação cutuca uma ferida do mundo contemporâneo: o machismo.

A ação cutuca uma ferida do mundo contemporâneo: o machismo.

Divulgação

Criado em 2009 pelas atrizes e diretoras Pâmella Cruz e Priscilla Toscano, o Coletivo Pi é um núcleo de performance que realiza intervenções e ações híbridas a partir do meio urbano e dos espaços públicos, com trabalhos em diversas linguagens: teatro, vídeo, dança e instalações plásticas. O Portal Aprendiz já visitou uma dessas ações. Confira aqui.

Vencedora do Prêmio FUNARTE – Mulheres nas Artes Visuais em 2013, a performance Entre Saltos já foi realizada em quatro grandes centros urbanos do Brasil (São Paulo, Campinas, Salvador e Porto Alegre) e rendeu um documentário homônimo, exibido no Sesc Belenzinho no dia 11/2.

E é de lá que sairá a próxima apresentação da premiada intervenção urbana, marcada para celebrar o Dia Internacional da Mulher, no dia 8/3. Para esta performance, o Coletivo Pi está convocando artistas e não artistas para participar de duas oficinas preparatórias, a serem realizadas no próprio Sesc Belenzinho. Marcadas para os próximos finais de semana (21/2 e 1º/3), as oficinas reunirão pessoas de todos os gêneros e orientação sexual, idades, culturas e profissões para discutir questões relativas ao universo feminino.

Para a diretora, a pluralidade enriquece o projeto. “O maior legado do Entre Saltos é promover o encontro de pessoas interessadas em discutir esse tema. Sempre há adesão de quem não é da área artística e quer consumir arte de forma ativa.”

 

Salto alto

Priscilla acredita que a ação cutuca uma ferida do mundo contemporâneo: o machismo. Mas faz questão de distinguir um movimento artístico de uma manifestação ou passeata de caráter feminista e panfletário.

As inscrições para as oficinas podem ser feitas no 1º andar do Sesc Belenzinho ou através de um formulário online no site do Coletivo Pi.

“Como somos um grupo fundado por mulheres, a questão de gênero é inerente à nossa condição artística”, explica a diretora. “É através da metáfora do salto alto que abordamos os diversos papéis que a mulher enfrenta na sociedade, esse constante subir e descer do salto, equilíbrio e desequilíbrio, força e fragilidade que permeiam o universo feminino.” A ideia da performance é mostrar a relação entre a imagem do feminino e a esfera pública.

Performance já aconteceu em São Paulo, Campinas, Porto Alegre e Salvador.

Performance já aconteceu em São Paulo, Campinas, Porto Alegre e Salvador.

Divulgação

No dia 8/3, os participantes ocuparão as ruas ao redor do Sesc Belenzinho, onde ocorrerá uma caminhada e, ao final, será produzida uma instalação com os sapatos de salto alto. “Será um presente do Coletivo Pi para a cidade”, comenta Priscilla.