Criar na cidade

Livros “esquecidos” no metrô convidam você a desligar o celular

Em grandes metrópoles, é cada vez mais comum se deparar com essa cena: metrô ou trem lotado, disputa acirrada para entrar no vagão, quem consegue logo saca do bolso seu smartphone e começa a jogar Candy Crush ou Subway Surfers até chegar ao destino. Se você é usuário de transporte público, a chance de ter presenciado momentos como esse – ou até mesmo protagonizado – é muito grande. O desenvolvedor de software Fernando Tremonti, de 26 anos, junta suas energias para reverter tal situação.

Para incentivar a leitura no transporte público, Fernando "esquece" livros em cima dos bancos.

Para incentivar a leitura no transporte público, Fernando “esquece” livros em cima dos bancos.

Divulgação

Criador do projeto Leitura no Vagão, o paulistano se sente incomodado com as milhares de pessoas que, ao mesmo tempo em que reclamam de não haver tempo para leitura de livros no cotidiano acelerado da metrópole, desperdiçam valiosos minutos em seus aplicativos de games durante os deslocamentos pela cidade.

vagao1“No metrô, percebi que a maioria das pessoas estão sempre conectadas, mas nunca com um livro na mão. A desculpa é clássica: ‘não tenho tempo!’. Tempo é prioridade. Redes sociais, jogos e mensagens são as prioridades atuais”, reclama Fernando, que diariamente pega o modal na Barra Funda e vai até o Paraíso para trabalhar. “Eu leio dois livros por semana só nas viagens que faço de casa para o trabalho e vice-versa.”

O Leitura no Vagão estreou no dia 12/8 do ano passado e consiste no esquecimento proposital de um livro nos bancos dos vagões de trens e metrôs. Para não ficar ali, ao léu, é colocado um folheto (reproduzido ao lado) dentro de suas primeiras páginas.

Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, O Retrato de Dorian Grey, de Oscar Wilde, Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, e Os Lusíadas, de Luís Camões, são alguns dos livros que já foram “esquecidos” nos bancos. Diariamente, novas obras são despejadas em diversas linhas do transporte sobre trilhos paulistano.

Além de sua própria coleção, Fernando recebe doações de amigos e pessoas que se interessam pelo tema (para contribuir é só mandar um e-mail para leituranovagao@gmail.com ou entrar em contato via redes sociais). “A ideia é que o projeto seja colaborativo”, revela. Para quem quiser deixar o livro por conta própria, ele envia um kit do projeto com etiqueta, folder e marcador de página.

Adesivo do projeto Vagão dos Leitores.

Adesivo do projeto Vagão dos Leitores.

Reprodução

O folheto deixado nos livros também pede para o leitor tirar uma foto e postar nas redes sociais com a hashtag #leituranovagao.

Em total consonância com o Leitura no Vagão, o projeto Vagão dos Leitores tem espalhado adesivos nos metrôs de São Paulo que determinam bancos exclusivos para quem quiser ler durante o trajeto. “O adesivo é um símbolo para as pessoas que valorizam o conhecimento se identificarem”, diz o texto sobre o projeto. O objetivo é conseguir um vagão exclusivo para leitores.

O desenvolvedor de software confessa que sempre teve o hábito de deixar o livro onde quer que terminasse de ler, fosse na praça, no restaurante ou no estádio. E hoje ele comemora a possibilidade de divulgar escritores independentes. “O projeto é muito jovem, mas está caminhando bem. O mais importante é que algumas pessoas já aderiram à causa.”

“Minha vontade é que estações de trem e metrô voltem a ter bibliotecas e que não sejam apenas um meio de transporte, mas sim, um meio cultural”, finaliza.

Confira mais informações no Twitter e no Facebook do projeto.