Aprender na cidade

Famílias criam ônibus andante para levar crianças às escolas na Suíça

Um adulto veste um colete laranja e toca violão enquanto atravessa ruas e caminha pela cidade. Atrás dele, uma fila de crianças o acompanha, demonstrando alegria e energia ao cruzar as vias e passear pelas calçadas. Elas vestem um colete amarelo que brilha no escuro, para deixar claro a todos os outros cidadãos: estamos aqui!

O vídeo acima faz parte de uma campanha do projeto.

Na verdade, não se trata de um passeio, e sim de mais um dia escolar comum em Friburgo, região francesa da Suíça. As crianças estão pegando carona no ônibus andante – ou PédiBus –, que as leva até suas escolas sem precisar de motor, gasolina ou volante: apenas a orientação de um pai, mãe, avós ou pessoas aposentadas da comunidade.

PediBusA iniciativa, criada em 1991 na Austrália, renasceu na região francófona da Suíça a partir de 2000, com o apoio da Associação de Transportes e Meio Ambiente, e hoje já possui mais de 200 “linhas” para auxiliar estudantes de quatro a oito anos a chegar à escola e voltar para casa. O PédiBus funciona assim: em uma comunidade, os pais interessados em participar se unem, recebem uma formação com materiais do projeto, estudam o trajeto e combinam um ponto de encontro diário, além de um revezamento para decidir quando exercerão a função de guiar as crianças pelas ruas.

Leia mais
Domingo pode virar dia de passeio na Avenida Paulista
Passo a passo: jovens gaúchos criam projeto para educar pedestres
Em Nova York, “farol vivo” mostra sentimento de pedestres

De acordo com Rodrigo Luruena, responsável pela campanha do PédiBus na região francesa da Suíça, o maior objetivo é proporcionar autonomia e segurança para os pequenos. “Queremos adaptar as ruas às necessidades da criança. Rotas mais seguras, redução de velocidade, zonas de pedestre fazem parte do pacote que, ao fim, proporcionará ruas melhores para todos”, explica Rodrigo.

Na região francesa da Suíça, cinco coordenações locais promovem o PédiBus entre os pais, as escolas, as autoridades locais e outros atores. Elas organizam sessões de ajudas e informações aos pais interessados no projeto e também distribuem material referente ao ônibus andante.

O PédiBus pretende também dar maior visibilidade às crianças nas vias públicas. “Quanto mais crianças vão a pé, menos carros teremos no entorno da escola. Consequentemente, diminuem as chances de acidentes. Quando vemos um monte de criança andando, tornamos a mobilidade infantil visível”, acredita. A iniciativa ainda forma as crianças sobre o tráfego de veículos e as ensina a tornarem-se pedestres. “É na infância que se começa a desenvolver hábitos. Se ensinamos às crianças que podem andar a pé até a escola, até o cinema, até o parque, serão adultos com os mesmos hábitos. O PédiBus ajuda as crianças a integrar a caminhada ao dia a dia.”

Ao fazer isso, o projeto do ônibus andante também contribui com a saúde dos participantes. “Além da questão ambiental: menos carros, menos poluição, menos barulho”, pontua Rodrigo.

Pais, avós e professores se organizam para liderar o trajeto.

Pais e avós se organizam para liderar o trajeto.

Reprodução

Outro benefício do PédiBus está na questão da interação. “Quando se pega carona no ônibus andante, você está em contato com os pais e outras crianças, interagindo com outros. Alguns alunos também se conhecem ali. Quando os pais e os avós lideram o PédiBus, as crianças desenvolvem um senso de respeito com os mais velhos.”

A Câmara Municipal de Lisboa produziu um manual com mais informações sobre como implantar um sistema de PédiBus em sua comunidade. Confira!

“O nosso futuro é ambicioso”, prevê Rodrigo. O projeto deve ser apresentado no congresso Walk 21, a ser realizado em outubro, em Viena (Áustria), onde haverá uma campanha para a promoção da mobilidade escolar. Além disso, a partir de 2016, o PédiBus quer aumentar sua participação nas regiões alemã e italiana da Suíça através de uma campanha nacional.