Transformar a cidade

Recém-eleita, prefeita de Barcelona propõe uma cidade para todos

“Fui eleita prefeita de Barcelona e agora tenho um objetivo prioritário: que nunca mais exista a separação entre cidadãos de primeira e de segunda classe nessa cidade.”

As palavras de Ada Colau, 41, foram recebidas com uma salva de palmas pelo público presente no discurso de vitória do Barcelona en Comú, plataforma política que elegeu 11 deputados municipais e, com isso, deve garantir a prefeitura da segunda maior cidade da Espanha. Jornais apontam que Ada é a “primeira mulher de extrema esquerda a comandar Barcelona”.

O Barcelona en Comú é um movimento que integra o Podemos, partido antiliberal que contra as medidas de austeridade adotadas pelo governo do Partido Popular (PP), que registrou seu pior resultado eleitoral desde 1991 (26,5% do total de votos). O Podemos atingiu 20%.

Defensora dos direitos humanos e ativista social, Ada Colau ficou conhecida nacionalmente a partir de 2009, quando virou porta-voz da Plataforma dos Afetados pela Hipoteca, que defendeu os desalojados (na Espanha, a lei exige que os cidadãos continuem pagando hipoteca mesmo depois de despejados).

Colau pretende mudar essa legislação e evitar expulsões da cidade. Uma de suas medidas deve transformar apartamentos vazios em alojamentos sociais.

“Tivemos uma oportunidade histórica e soubemos aproveitar. Mostramos que as pessoas comuns – sem poder econômico nem influência política, a base de compromisso, perseverança e generosidade – e seu desejo de mudança se impuseram sobre a campanha do medo”, comentou, lembrando que os adversários a apontavam como inexperiente e populista. “Esta foi a vitória de Davi contra Golias.”

A capital catalã é uma referência para as Cidades Educadoras do mundo. Além de ter sido o primeiro município do mundo a se declarar educador, Barcelona aposta nos espaços públicos e na articulação de diferentes setores para garantir a educação integral de crianças e adolescentes. “Vamos governar a cidade a serviço das pessoas”, afirmou Colau.

Em discurso de apresentação da candidatura, em setembro de 2014, intitulado E nos perguntaram quem somos, a ativista listou dezenas de atores sociais que estarão representados pela nova gestão: mulheres, imigrantes, idosos, trabalhadores, jovens, desempregados e educadores, entre tantos outros.

Vizinhos e vizinhas não podiam ficar de fora: “Somos os bairros que protagonizaram as melhores conquistas dessa cidade, que não teriam conseguido mudar sem as lutas comunitárias das últimas décadas”, observou.

“Em primeiro lugar, somos também as crianças dessa cidade, que merecem desfrutá-la e ter seus direitos garantidos, sendo protagonistas. Muitas vezes, as crianças possuem mais sentido comunitário do que adultos, que foram se deformando com o crescimento. Precisamos escutar nossas crianças e deixá-las falar.”