Aprender na cidade

Quero na escola! une estudantes e comunidades para diversificar aprendizagem

O que você faria se um estudante de uma escola pública perto de você quisesse aprender algo que você pode ensinar? Lançado esta semana, o canal “Quero na Escola!” aposta que esse cenário é bastante comum, só que as pessoas não tomam conhecimento. Não havia um meio pelo qual os alunos pudessem declarar o que querem aprender além do currículo escolar e as pessoas ficassem sabendo. Agora há.

O site permite a qualquer estudante cadastrar o que gostaria de aprender. Os primeiros pedidos são para oficinas de fotografia, artesanato, desenho, língua asiática, violão, piano e paintball. Ao mesmo tempo, aquelas pessoas que gostariam de ajudar e nunca souberam como, podem escolher entre os pedidos, informar sua disponibilidade e contribuir de forma efetiva com a educação.

As fundadoras convidam as escolas a serem parceiras. “Queremos aproveitar o programa para que a vizinhança conheça o trabalho rico e desafiador que ocorre dentro da escola”, diz Cinthia Rodrigues, uma das fundadoras. As escolas parceiras recebem um relatório com os cadastros efetuados para acompanhar os interesses dos alunos e podem solicitar os dados dos voluntários.

Estudantes de outras escolas, no entanto, também podem se cadastrar. Se a escola não tiver interesse, as aulas podem ser em bibliotecas ou centros culturais próximos. As oficinas podem ser até de um voluntário para um estudante e não é um curso contínuo, mas algumas aulas conforme o voluntário informar desde o começo que pode se comprometer.

A ideia surgiu durante pesquisas do Social Good Brasil Lab. Cinthia e as jornalistas Luísa Pécora, Luciana Alvarez e Tatiana Klix participaram do laboratório de inovação com a intenção de desenvolver algo para aumentar a participação da sociedade na educação integral. Nas conversas com alunos, professores e a população em geral, perceberam a falta de um canal direto que fizesse o mapeamentos dos interesses e de possíveis colaboradores.

Enquanto professores gostariam que as famílias e vizinhança fizessem mais pela educação, os alunos surpreenderam com seus interesses. “Uma menina, no começo meio tímida, aos poucos acabou revelando um universo de vontades, coisas que a escola não oferece e que ela, sozinha, não sabe onde buscar. Refletia muito do que os adolescentes da sua idade também sonham e o mundo adulto nem sempre escuta, nem sempre entende”, lembra Luciana.

Por enquanto, os pedidos cadastrados são em São Paulo, mas as comunidades que aderirem de outras cidades, Estados ou regiões também podem usar a ferramenta. O projeto está em fase piloto e depende da divulgação e compartilhamento nas redes sociais para que os estudantes conheçam e usem o canal e as pessoas saibam das demandas registradas.