Aprender na cidade

Caminhada pelo centro de São Paulo retoma história LGBT da cidade

Durante o ciclo de debates “Cidades Rebeldes”, realizado em junho deste ano em São Paulo, o deputado estadual Jean Wyllis retratou a cidade grande como uma possibilidade de refúgio para as pessoas sexualmente diversas. Jovens LGBT fugiam da vigilância e do conservadorismo das cidades pequenas para o anonimato da metrópole. Buscavam um lugar para se inventar e, enquanto isso, transformavam o espaço urbano. “Nós gays encarnamos desde sempre a cidade rebelde. Antes mesmos de outros coletivos se levantarem, nós LGBT já disputávamos a cidade por livre convivência, respeito mútuo e liberdade”, afirmou à ocasião.

Para retomar essa história, uma parceria entre o Lanchonete, Musagetes e o 23º Festival Mix Brasil, trará uma série de quatro eventos denominada Cidade Queer, que será composta pela exibição de dois filmes, um painel de debate, uma caminhada e um encontro (veja a programação completa abaixo).

Programação de São Paulo do Cidade Queer

Evento trará debate de gênero para o espaço urbano de São Paulo.

Cidade Queer l Reprodução

Caminhada

Segundo o curador da mostra, Thiago Carrapatoso, a especulação imobiliária tem colocado em cheque diversos usos históricos da região central. As regiões do Arouche e da República sempre tiveram uma grande presença da comunidade LGBT e são conhecidas nacionalmente como um espaço de aceitação para questões de gênero.

“Sinto hoje uma necessidade imperiosa de compartilhar paisagens, pois estou certo, em primeiro lugar, de que as
paisagens existem dentro e não fora de nós; em segundo, porque as paisagens compartilhadas são a única forma
de construirmos cidades neste século XXI”
Paulo Goya

“São Paulo é uma constante luta de forças desiguais, entre o espaço público e o capital privado. A ideia da caminhada é justamente tentar preservar esse uso histórico. Por isso que a Rede Paulista de Educação Patrimonial (REPEP) está com a gente, fazendo um inventário participativo de patrimônio, que poderá ser usado para preservar as culturas daquela região”, afirma.

O passeio parte da Biblioteca Tapera Taperá, na Galeria Metópole, às 14h, e será liderado pelo ator Paulo Goya, que irá compartilhar suas experiências, indicando os locais que frequentava e “mostrando a relação intrínseca entre o centro da cidade e a história LGBT”. A caminhada termina no Largo do Arouche, onde haverá um debate no Aurora.

“Ao mesmo tempo que se há o uso histórico da região, a área central é ainda muito desconhecida pela população paulistana. Quando se anda pelos espaços é que se vê o que realmente importa naquela localidade. Isso ajuda a aproximar as diferentes culturas e comunidades de forma a combater a crescente homofobia no país”, afirma Carrapatoso, sobre as potências educativas do espaço urbano.

Serviço: Caminhada Queer pelo centro de São Paulo
Quando? Sábado, 21 de novembro de 2015 às 14h
Onde? Ponto de encontro: em frente ao Tapera Taperá, no segundo andar da Galeria Metrópole, Praça Dom José Gaspar
Saiba mais: Evento no Facebook da Caminhada Queer pelo centro de São Paulo

(Foto que ilustra essa matéria usada sob licença Creative Commons é de autoria de lu)