Aprender na cidade

Plataforma faz com que apoiadores sejam “guardiões” de escolas ocupadas

Na manhã desta quinta-feira (26/11), chegou a mais de 200 o número de escolas ocupadas, segundo as contagens do movimento de estudantes secundaristas que lutam contra a reorganização proposta pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Para apoiar o movimento, a Minha Sampa criou uma plataforma online que transforma vizinhos e apoiadores em “guardiões” das escolas.

O funcionamento é simples: você preenche um formulário com seus dados e telefone de contato. Caso o governo consiga a reintegração de posse na justiça, e decida agir violentamente em uma ocupação, você receberá um SMS “para que possa vir fisicamente proteger as escolas da truculência da polícia, com o seu corpo, sua voz, sua câmera e sua indignação”, afirma o site, que também traz um mapa das ocupações e diversas informações sobre o movimento dos secundaristas. Estudantes em outras escolas, que ainda estejam fora do cadastro da Minha Sampa, podem entrar em contato através do email contato@minhasampa.org.br ou por Whatsapp, número 11-98503-6622

A Meu Rio, entidade que deu origem à rede Minhas Cidades, da qual a Minha Sampa faz parte, já havia agido com uma metodologia similar para impedir que a escola Friedenreich, fosse fechada:

A Escola Municipal Friedenreich fica ao lado do estádio mais famoso do Rio de Janeiro, em meio aos planos de ampliação do Complexo do Maracanã. Uma escola tradicional da região e uma das dez melhores do estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a instituição corria o risco de ser demolida para dar lugar a um centro de treinamento para atletas do vôlei durante as Olimpíadas de 2016. Com a mobilização da comunidade e uma petição contra a derrubada da escola, a Meu Rio entrou em cena.

Desenvolveu o aplicativo “De Guarda”, que instalou câmeras na região, “vigiadas” por moradores preocupados com a escola. Caso um trator se aproximasse, toda a rede seria avisada por SMS. “A promessa de ir à rua muitas vezes é mais forte que a própria mobilização, o importante hoje é saber casar as duas potencialidades”, afirma Miguel Lago, co-fundador da Meu Rio. Como resultado dessas e de muitas outras pressões, a prefeitura e o Estado tombaram o colégio, assim como o Museu do Índio.

A ideia é que a plataforma online amplie a já viva rede de apoio que tem garantido o sucesso das ocupações. Famílias, sindicatos, comunidades e apoiadores têm mantido o ânimo da meninada em alta com doações de mantimentos, de aulas e oficinas.

Também tem sido exemplar o cuidado dos estudantes com o espaço físico das escolas. Abundam fotos na internet e em páginas de ocupações de escolas sendo cuidadas pelos alunos ocupados.

Como tudo começou

O site da campanha lembra que hoje o Estado de São Paulo possui 793 escolas com salas superlotadas, ao longo desse ano, foram mais de mil salas de aulas fechadas. O estopim do processo, no entanto, foi o anúncio do fechamento de 94 escolas pelo governo – a maioria longe do centro da cidade.

A falta de diálogo e o caráter gerencial da decisão são dois dos fatores que tem impulsionado a mobilização que cresce diariamente, questionando que tipo de educação nossa sociedade está reservando para os mais jovens.

(Foto de Jornalistas Livres)