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Governo Alckmin adia “reorganização do ensino” em SP e propõe “diálogo” para 2016

Após 25 dias de ocupações escolares em todo o Estado de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin anunciou na tarde de hoje, 4/12, o adiamento da reorganização do ensino estadual paulista, que propunha ampliar o ciclo único na rede pública e, com isso, pretendia fechar 92 escolas em 2016, transferindo mais de 300 mil alunos.

No pronunciamento, realizado em coletiva no Palácio dos Bandeirantes, o mandatário afirmou que a intenção do governo é rediscutir a questão “escola por escola, com comunidades, estudantes e, em especial, com as famílias”. Em menos de cinco minutos de discurso, Alckmin ressaltou que não pretende revogar a reorganização, mas sim adiá-la. “Devemos aprofundar o diálogo, que estamos fazendo há meses. O ano de 2016, que seria de implementação da reorganização, será agora o ano de aprofundarmos esse diálogo. Os estudantes continuarão nas escolas onde estudam.”

O anúncio acontece apenas três dias após a publicação do decreto que oficializava a reorganização do ensino. As medidas, anunciadas em setembro, encontraram forte resistência de alunos, professores e da comunidade escolar. Vários atos de rua aconteceram desde então; com a falta de diálogo por parte do governo, as escolas passaram a ser ocupadas no início de novembro. O recrudescimento da repressão não intimidou os estudantes ocupados, que desde segunda-feira (30/11) estão fechando as principais vias da capital paulista.

O governador, contudo, disse que continua convicto acerca dos benefícios do redesenho. “Temos 1.500 escolas de ciclo único no estado, onde o resultado dos alunos no IDESP (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) é, na média, 15% maior.”

Popularidade baixa

Pesquisa Datafolha divulgada hoje mostrou que a popularidade de Geraldo Alckmin atingiu a sua pior marca histórica: 30% da população paulista reprova o governador tucano. A aprovação caiu 20 pontos percentuais em uma no e ficou em 28%.

No caso específico da reorganização do ensino, seis entre cada dez paulistas (61%) se disseram contra as mudanças propostas pelo governo. Entre os mais jovens, a discordância atinge 69%. Ainda, a maioria (55%) manifestou apoio às ocupações escolares, que nesta semana chegaram à mais de 200 escolas estaduais.

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