Aprender na cidade

Na volta às aulas, documentário sobre escolas ocupadas é disponibilizado na internet

Nesta segunda-feira, 3,7 milhões de alunos voltaram às aulas nas mais de 5 mil escolas de São Paulo, estado que fechou 2015 com a maior mobilização estudantil de sua história: foram mais de 200 escolas ocupadas por estudantes, que resultaram na revogação do decreto que reorganizaria a rede público em ciclos únicos, com fechamento de salas e escolas.

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No entanto, segundo levantamento do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), o governo pode estar realizando uma reorganização silenciosa do ensino, tendo fechado 103 salas de aulas por dia desde que começou o ano, conforme aponta matéria do Centro de Referências em Educação Integral. 

Segundo a entidade, em 2015, o governo estadual fechou 3.390 salas e outras 1.403 nos primeiros 43 dias de 2016. “Fechamento de classes e superlotação de salas de aula não combinam com qualidade de educação, mas essa não parece ser a preocupação do governo do Estado de São Paulo”, afirmou  o sindicato.

O fim das turmas se intensificou nos primeiros dias de 2016 e a Apeoesp acusa o governador de estar promovendo o processo de reorganização escolar, contrariando decisão judicial.

Para lembrar governantes, ocupantes e ocupados da força estudantil, foi lançado hoje, no Youtube, o documentário “Acabou a Paz, Isto aqui vai virar o Chile – Escolas ocupadas em São Paulo”, produção capitaneada por Carlos Pronzato, diretor de “La Rebelión Pingüina”, sobre a revolta estudantil no Chile,  e “A Revolta do Buzú” (2003), sobre a luta contra o aumento da tarifa em Salvador, que foi um dos estopins para o surgimento do Movimento Passe-Livre (MPL).

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O documentário se propõe a retratar a “saga dos estudantes secundaristas de São Paulo por uma educação de qualidade” e a “coragem, a autonomia, a horizontalidade, a sororidade e solidariedade demonstrado pelos secundaristas”, além do apoio popular que estes receberam.

“Um dia, se meu filho virar professor, ele vai contar minha história, a história de todos aqueles que um dia lutaram por uma educação melhor, por uma escola que se possa chamar de escola”, sonha um estudante no filme.

Os realizadores do documentário ressaltam que a produção têm livre reprodução e exibição e se propõe a ser “mais uma ferramenta inflamável da luta social”. “Com a volta às aulas, os estudantes secundaristas tem uma mídia pronta para usar nas debates e reflexões de sua luta, espalhando e fortalecendo sua causa”, afirmam.

Por um evento no Facebook, é possível acompanhar as exibições programadas do filme nessa semana pela cidade de São Paulo, em cineclubes e escolas.

Confira abaixo o filme completo.