Aprender na cidade

Ecomuseu de Maranguape recebe Jornada de Formação em Museologia Comunitária

Um grande encontro de saberes. É dessa maneira que os organizadores da IV Jornada de Formação em Museologia Comunitária definem o evento, que tomará a cidade de Maranguape, no interior do Ceará, entre os dias 24 e 26/11.

Sob o tema “Criando cidades e comunidades educadoras”, o encontro incentivará uma formação museológica em torno dos conceitos de patrimônio material, imaterial e natural. Através de uma programação que contemplará oficinas, palestras e apresentações artísticas, a Jornada pretende reunir tanto museólogos, professores, pesquisadores e produtores culturais como o público das comunidades tradicionais e seus agentes de desenvolvimento.

“A intenção é colocar em debate um repertório de conceitos específicos para a atuação de ecomuseus e museus comunitários em seus territórios, entendendo o que distingue esse tipo de museus dos espaços tradicionais de museologia”, aponta Davidson Kaseker, membro suplente do conselho consultivo da Associação Brasileira de Ecomuseus e Museus Comunitários (ABREMC), uma das entidades que realiza o evento.

Sob o tema “Criando cidades e comunidades educadoras”, o encontro incentivará formação em torno dos conceitos de patrimônio material, imaterial e natural.

Ecomuseu de Maranguape sediará o evento.

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Criado há cerca de quatro décadas, o conceito de museologia comunitária é mais abrangente do que os acervos de cultura material que costumam estar nos museus tradicionais. “O acervo do museu comunitário se estende para o imaterial: saberes, fazeres, histórias, lendas. Também prevê um empoderamento do sujeito local como ativo na construção da memória social e coletiva”, observa Kaseker.

Ele, que também dirige o Sistema Estadual de Museus de São Paulo (SISEM-SP), ressalta que, na museologia comunitária, o patrimônio não é um objeto dado, mas construído através de um processo participativo, estimulando a própria comunidade a identificar seus patrimônios e pensar em como utilizá-los como recurso de desenvolvimento local e sustentável.

“Uma das características dos ecomuseus é que não existe um igual ao outro. Cada qual nasce de acordo com suas características locais e dos desejos da comunidade. A ABREMC procura dar uma orientação geral, mas a ideia fundante é a comunidade local ser protagonista desse processo, de preferência participando de uma gestão compartilhada.”

Sob o tema “Criando cidades e comunidades educadoras”, o encontro incentivará formação em torno dos conceitos de patrimônio material, imaterial e natural.

Crianças participam de atividade na Escola Municipal José de Moura.

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Em sua quarta edição, é a primeira vez que a Jornada extrapola o eixo sul-sudeste do país e chega à região norte. A primeira edição aconteceu no Rio de Janeiro (RJ), seguida por Santa Maria (RS) e São José dos Campos (SP). “O evento consolida a ABREMC como uma organização de nível nacional”, acredita Kaseker. A entidade está atualizando um mapeamento de todos os ecomuseus e museus comunitários do Brasil.

“Estamos vendo um crescimento muito significativo de museulogia comunitária no país”, afirma. Segundo o diretor, já existe um diálogo com representantes do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) para que as diretrizes da entidade para os museus nacionais sejam adaptadas para contemplar os comunitários e ecomuseus.

Kaseker também elogia o espaço que receberá o evento: o Ecomuseu de Maranguape. “Ele se articula através da Escola Municipal José de Moura e envolve também os pais das crianças, em um conceito que é chamado de cocriação, fundamentado na pedagogia de Paulo Freire”, enfatiza. “É um exemplo claro de construção coletiva do conhecimento.”

Acesse a programação completa do evento, conheça os palestrantes que estarão presentes e se inscreva na IV Jornada de Formação em Museologia Comunitária.