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Mapa mostra acirramento da desigualdade em São Paulo

Quantas diferentes “São Paulos” cabem dentro de São Paulo? Inúmeras, responde o Mapa da Desigualdade 2018, lançado pela Rede Nossa São Paulo nesta quarta-feira (28). O estudo, divulgado anualmente desde 2012, mostra mais uma vez como as disparidades são enormes na maior e mais rica cidade da América do Sul.

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Reunindo dados dos 96 distritos da capital paulista, o levantamento analisa a qualidade vida dos paulistanos a partir de 53 indicadores de diversas áreas como acesso a cinemas, atendimento hospitalar, índice de matrícula escolar e gravidez na adolescência.

De saída, uma desigualdade que salta aos olhos está ligada à expectativa de vida. Moradores dos bairros mais nobres, geralmente centrais, de São Paulo chegam a viver até 20 anos mais que moradores dos bairros mais periféricos. Essa desconformidade pode ser explicada, entre muitos outros motivos, pela qualidade da habitação. Se na Vila Andrade metade da população vive em favelas, em Pinheiros essa taxa é de 0,08.

A desigualdade também se aprofunda quando o tema é acesso à cultura. Enquanto a Sé aparece como o distrito com o maior número de centros culturais, casas e espaços de cultura por pessoa, apresentando uma média de 3,09 equipamentos a cada 10 mil habitantes, o Grajaú aparece na pior posição com uma média de 0,03. A média do município fica em 0,16. O levantamento ainda aponta que, dos 96 distritos da capital paulista, 53 não têm nenhum equipamento cultural.

No recorte educação, as diferenças também se avolumam. Enquanto uma família da República espera 8,24 dias para atendimento para vaga em creche fica, essa fila salta para 401,07 dias no distrito de Pedreira.

Ainda segundo o Mapa da Desigualdade, São Paulo sofreu no último ano um retrocesso no que diz respeito à garantia de serviços públicos para seus cidadãos: nove dos 19 indicadores analisados registraram piora, ou seja, dois permaneceram iguais e oito tiveram melhora.

Veja um resumo dos principais dados do Mapa da Desigualdade 2018.